15/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Setor produtivo pressiona por avanços na BR-319

Publicado em 22 de agosto, 2025

Setor produtivo pressiona por avanços na BR-319

Manaus (AM) – A indefinição sobre a BR-319, rodovia que liga o Amazonas a Rondônia e ao restante do país, voltou a preocupar empresários do estado após o veto presidencial à emenda que flexibilizava exigências de licenciamento ambiental em trechos já trafegáveis da estrada. A medida, que fazia parte do novo projeto de licenciamento ambiental e foi proposta pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), tinha o objetivo de destravar as obras da rodovia.

Com o veto, a bancada federal do Amazonas tenta agora articular no Congresso a derrubada da decisão, enquanto setores produtivos reforçam que a conclusão da BR-319 é essencial para reduzir custos e garantir competitividade.

Custos logísticos elevados

O presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (SIAM), Pedro Monteiro, afirma que a falta de alternativas logísticas mantém o Amazonas em desvantagem no cenário nacional.

“Seguimos esperando uma solução que possa tirar o Amazonas do isolamento e promover o desenvolvimento que a gente tanto precisa. O setor produtivo não pode mais arcar com custos logísticos tão altos. Isso encarece o produto, reduz a margem de lucro e trava o crescimento das empresas”, declarou Monteiro, também proprietário da tradicional fábrica de alimentos Virrosas, com mais de 100 anos de atuação em Manaus.

Segundo ele, enquanto outros estados contam com diferentes opções de transporte, o Amazonas depende basicamente dos modais fluvial e aéreo, que são caros e sujeitos a interrupções por fatores climáticos e operacionais.

Impacto no setor de alimentação

A situação afeta diretamente a indústria de alimentos, considerada estratégica para o abastecimento da população. O transporte de insumos vindos do Sul e Sudeste pode levar semanas e exigir operações complexas.

“Nossa indústria é penalizada por um isolamento histórico. A BR-319 pode ser o ponto de virada. Estamos falando de uma rodovia que já existe, que é usada, mas que precisa de melhorias estruturais para funcionar com segurança e regularidade o ano inteiro”, reforçou Monteiro.

Perspectivas

O setor de alimentação representa uma fatia importante da indústria amazonense, atuando tanto no processamento de produtos regionais quanto no fornecimento para outros estados e para a Zona Franca de Manaus. Para os empresários, a recuperação da BR-319 é determinante para reduzir custos e ampliar o alcance comercial.

Monteiro destacou que a posição do sindicato é técnica e defende um equilíbrio entre preservação e desenvolvimento:

“Somos favoráveis a um modelo que respeite o meio ambiente, mas que também entenda as particularidades da nossa região. Não dá para tratar o Amazonas como se estivesse nas mesmas condições logísticas do Sudeste.”

A expectativa do setor agora está voltada ao Congresso Nacional, onde a bancada amazonense busca apoio para derrubar o veto presidencial e avançar em uma alternativa que viabilize as obras da BR-319.

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