
Defesa alega legítima e aponta abusos na ação policial que terminou com prisão preventiva do artista. (Foto: Oruam / Instagram)
O cantor Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, foi transformado oficialmente em réu pela Justiça do Rio de Janeiro, que acatou a denúncia do Ministério Público por tentativa de homicídio qualificado contra dois policiais civis. A acusação refere-se a um episódio ocorrido na madrugada de 22 de julho, quando uma operação policial foi realizada em sua residência, uma mansão no bairro do Joá, zona oeste da capital fluminense.
A ação tinha como objetivo apreender um adolescente suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. Após a detenção do menor, Oruam e outros presentes no imóvel teriam lançado pedras e objetos contra os agentes, obrigando-os a se abrigar dentro da viatura. De acordo com o Ministério Público, além das agressões físicas, o artista também incitou a violência em redes sociais e chegou a desafiar a atuação policial no Complexo da Penha.
No dia seguinte, após a emissão de um mandado de prisão preventiva, Oruam se entregou à polícia. Ele agora responde por oito crimes, entre eles tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal, além da acusação de tentativa de homicídio. A promotoria sustenta que os atos foram cometidos com crueldade e contra agentes públicos, o que pode enquadrá-los na Lei dos Crimes Hediondos.
A defesa do rapper, no entanto, rejeita a tese de tentativa de homicídio e afirma que não houve intenção de matar. Em nota, os advogados argumentam que o cantor agiu sob “extremo desespero” e em “legítima defesa”, ao ver cerca de 20 veículos descaracterizados na porta de sua casa e sofrer, segundo ele, ameaças e agressões físicas.
A equipe jurídica ainda denuncia supostas irregularidades na operação, como a ausência de mandado válido, uso de viaturas sem identificação e atuação fora do horário legal. A defesa questiona também a abertura de novo inquérito sobre fatos que, segundo ela, já haviam sido analisados em flagrante anterior, cujo laudo teria constatado que o ferimento sofrido por um dos policiais não representava risco à vida.
Oruam segue detido preventivamente no presídio de Bangu 3, enquanto o caso avança na Justiça.