16/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rapper Oruam vira réu por tentativa de homicídio contra policiais durante operação no Rio

Publicado em 30 de julho, 2025

Justiça decide manter prisão preventiva do rapper Oruam

Defesa alega legítima e aponta abusos na ação policial que terminou com prisão preventiva do artista. (Foto: Oruam / Instagram)

O cantor Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, foi transformado oficialmente em réu pela Justiça do Rio de Janeiro, que acatou a denúncia do Ministério Público por tentativa de homicídio qualificado contra dois policiais civis. A acusação refere-se a um episódio ocorrido na madrugada de 22 de julho, quando uma operação policial foi realizada em sua residência, uma mansão no bairro do Joá, zona oeste da capital fluminense.

A ação tinha como objetivo apreender um adolescente suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. Após a detenção do menor, Oruam e outros presentes no imóvel teriam lançado pedras e objetos contra os agentes, obrigando-os a se abrigar dentro da viatura. De acordo com o Ministério Público, além das agressões físicas, o artista também incitou a violência em redes sociais e chegou a desafiar a atuação policial no Complexo da Penha.

No dia seguinte, após a emissão de um mandado de prisão preventiva, Oruam se entregou à polícia. Ele agora responde por oito crimes, entre eles tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal, além da acusação de tentativa de homicídio. A promotoria sustenta que os atos foram cometidos com crueldade e contra agentes públicos, o que pode enquadrá-los na Lei dos Crimes Hediondos.

A defesa do rapper, no entanto, rejeita a tese de tentativa de homicídio e afirma que não houve intenção de matar. Em nota, os advogados argumentam que o cantor agiu sob “extremo desespero” e em “legítima defesa”, ao ver cerca de 20 veículos descaracterizados na porta de sua casa e sofrer, segundo ele, ameaças e agressões físicas.

A equipe jurídica ainda denuncia supostas irregularidades na operação, como a ausência de mandado válido, uso de viaturas sem identificação e atuação fora do horário legal. A defesa questiona também a abertura de novo inquérito sobre fatos que, segundo ela, já haviam sido analisados em flagrante anterior, cujo laudo teria constatado que o ferimento sofrido por um dos policiais não representava risco à vida.

Oruam segue detido preventivamente no presídio de Bangu 3, enquanto o caso avança na Justiça.

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