
Melo parece ter desistido do TRE-AM, que lhe cassou o mandato na segunda-feira (26/01)
O governador José Melo distribuiu nota hoje (26/01), com data de ontem, quando teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), criticando a corte. “O processo… será examinado em várias instâncias, oportunidade em que deverão ser realizadas as investigações, perícias e diligências indispensáveis ao esclarecimento da verdade, até agora desconsideradas na instrução processual, apesar de requeridas pelos meus advogados”, afirma na nota.
Contrariando o convencimento de cinco dos seis juízes que examinaram o processo em que é acusado de compra de votos, o governador afirma: “Não patrocinei nem me aproveitei de qualquer ato ilícito ou irregular no curso da campanha eleitoral”. Veja a íntegra da nota no final desta postagem.
A opinião do portal
O governador comete, nessa nota, erros típicos da política antiga, calcada na desinformação do eleitor, onde os políticos faziam pouco caso da realidade. Valia mais jogar para a plateia, que se contentava com qualquer discurso vazio.
Inocência, o principal mote da manifestação, é justamente o que José Melo precisava ter provado no TRE-AM para evitar ser cassado. Investigações, perícias e diligências foram pedidas, recusadas por unanimidade como dispensáveis, recorridas por embargos da defesa, na hora do julgamento, e novamente negadas por unanimidade.
O discurso político vale cada vez menos nos tribunais e, numa hora como essa, após um revés jurídico, serve apenas para jogar mais água na fervura com que os juízes julgaram a causa e ainda julgarão os embargos declaratórios, a serem interpostos pela defesa do governador, após a publicação do acórdão da decisão de ontem.
Uma nota como essa dá até a impressão de que o governador, diante da crise econômica, com reflexos danosos em setores vitais do Amazonas, como a saúde, está jogando a toalha na disputa pelo mandato. Pelo menos no âmbito do TRE-AM a publicação é quase um pontapé nas chances de reverter a decisão.
Ou Melo e seus advogados sabem alguma coisa muito grave, no jogo de bastidores, que se negam a revelar e por isso mesmo não vale nada. Nem o processo nem a opinião pública se formam por charadas.
Um “Braga que se vire”, porém, seria ainda mais terrível, uma vez que, no mínimo, restam trâmites importantes antes da passagem do poder. E o Amazonas precisa de cada segundo de gestão para não parar de vez.
Veja a íntegra da nota do governador José Melo: