Lembro como se fosse hoje da campanha de Alberto Simonetti Cabral Neto para a Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Amazonas (OAB-AM) – Triênio 2013/2015. Apoiado pelo então Presidente Fábio de Mendonça, o Neto conseguiu reunir em sua chapa advogados de vários matizes, por meio de uma liderança natural, herdada do saudoso Simonetti.
Embora estranho no grupo, aceitei o convite com muita alegria e honra para fazer parte da chapa, a qual sagrou-se vitoriosa com votação expressiva. Não imaginava um dia participar de uma eleição e ainda eleger-me, tal a aversão à política, fruto de minha total ignorância sobre o assunto.
A chapa estava repleta de advogados que tinham um único objetivo: dar continuidade aos avanços significativos conquistados na gestão do Presidente Fábio de Mendonça. Todos sabiam que não seria fácil, muito menos que poderia ser perfeito, com o cumprimento de todas as promessas de campanha, pois a falibilidade ainda é apanágio do ser humano.
Nenhuma palavra se ouviu sobre a necessidade de alternância de poder ou sobre máculas da gestão que findava. Tudo era muito bom.
Lembro também que o advogado Marco Aurélio Choy, concorrendo pela primeira vez a uma gestão da OAB/AM, foi escolhido pela chapa a concorrer à vice-presidência após a renúncia do candidato anterior, dentre muitas outras coisas, pelo respeito e carisma de que gozava nos diversos grupos então unidos em torno da disputa eleitoral.
Eis que o triênio chegou ao fim e com ele uma nova eleição. Nosso atual Presidente abriu mão de uma reeleição certa, mas resolveu, após ouvir a maioria, apoiar o Vice-Presidente Marco Aurélio de Lima Choy.
Foi exatamente aí que as duas últimas gestões da OAB/AM deixaram de prestar. De repente, advogados que integraram as chapas vitoriosas das últimas eleições começaram a fazer oposição a si próprios, reinventando a subversão. Com eles, obviamente, não posso concordar. Até procuro entender, dentro das possibilidades de minha ingenuidade política, a busca de uma nova forma de administrar a OAB-AM, porém, sem jamais criticar as administrações – no plural mesmo – da qual fizeram parte e ajudaram a eleger com o mesmo afinco demonstrado agora.
A coerência é o mínimo que se espera de um advogado que deseja presidir a advocacia no Amazonas, afinal de contas, sem coerência inexiste ordem. Simples assim.
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* Jayme Pereira Jr. é advogado.