Com a desestabilização econômica da China, o Amazonas reduziu em 57,3% o valor as exportações de minério no mês de agosto, apontou um levantamento do Centro Internacional de Negócios do Amazonas (CIN-AM), vinculado à Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam). O percentual corresponde a 72 toneladas a menos na pauta de exportação do nióbio, elemento que possui 21% das jazidas localizados no Amazonas, no município de Presidente Figueiredo (a 130 quilômetros de Manaus).
Segundo informações do CIN-AM, o Amazonas exportou 78 toneladas do minério em agosto deste ano, equivalente R$ 1.057.255,50 milhões, quase a metade do contabilizado no mesmo mês de 2014, quando o Estado exportou R$ 2.479.320,00 milhões em nióbio, cerca de 150 toneladas. Para o gerente-executivo do CIN-AM, Marcelo Lima, o resultado é reflexo do momento de incertezas sobre a “saúde” da economia do país asiático.
“A informação de que a China está passando pela pior desaceleração em vários anos, com um PIB de 7,3%, gerou certo temor na economia mundial. Além de culminar na queda nas principais bolsas de valores, isso também diminuiu a demanda por commodities no mundo”, explicou Lima. “Dados apontam que o recuo das importações chinesas foi de 14,3% em agosto, é um percentual que impacta de forma negativa o Amazonas, que tem o país asiático como principal destino da mercadoria”, completou.
O executivo destaca que, apesar de robusta, a redução nas exportações do minério não casa prejuízo total na economia amazonense, já que atividade econômica ainda é recente. Ele aponta que a cerca de três anos o nióbio veio somar na pauta de exportação, mas não é um item preponderante na economia. “No entanto, o Estado do Amazonas deve trabalhar para que a demanda aumente futuramente, que é a tendência”, revelou.
Alternativas
Para o Amazonas recuperar o fôlego nas exportações, afirma Lima, a estratégia deve ser a exploração de outras rotas de comércio. “Um bom comprador para este momento seria a Europa, em especial a Alemanha, que atingiu níveis de exportação e importação no mês de julho. Agregar valor ao produto também é um alternativa para quem está inserido em um mercado dinâmico. Nesse caso, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas auxilia o empresário”, alertou Lima.
Monopólio
O Brasil possui, hoje, 98% das reservas de nióbio conhecidas no mundo, o que equivale a mais de 90% do volume do metal comercializado no planeta. As maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%), correspondendo a 842.460.000 toneladas.
Atualmente, o nióbio é utilizado na indústria automobilística, tornando-se indispensável nas indústrias espacial e nuclear. Seus principais derivados compõem aços alta resistência, usados na fabricação de tubulações para transmissão de gás sob alta pressão, petróleo e água, por ser um poderoso agente anti-corrosivo, resistente aos ácidos mais agressivos.