A sentença do processo que envolve a turista inglesa Gillian Metcalf deve ser divulgada em duas semanas, segundo o juiz de Direito, Henrique Veiga Lima, da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Na tarde desta segunda-feira (03/08), foi encerrada a audiência de instrução e julgamento e aberto o prazo para as alegações finais em memoriais no processo.
Gillian morreu aos 54 anos, vítima de um acidente de barco no Rio Negro, no dia 5 de setembro de 2013, próximo a Manaus. Ela estava ao lado do marido, Charles Metcalf, e das filhas Natasha e Alice Metcalf. Tanto Charles quanto Alice depuseram como testemunhas de acusação numa audiência em maio e voltaram a estar presentes hoje, mas desta vez apenas como ouvintes. Os réus Mailson Roberto Gomes e Raimundo Nonato Lima de Oliveira também estiveram presentes e foram ouvidos na audiência desta segunda-feira.

Alice e Charles Metcalf (sem gravata), filha e marido da vítima, vieram a Manaus acompanha a audiência. Foto: Raphael Alves/Divulgação.
“O Ministério Público e a defesa vão arregimentar as provas. Em duas semanas, teremos este processo sentenciado. Já era para ter sido encerrado. Mas algumas testemunhas não se fizeram presentes na primeira audiência. Hoje encerramos a instrução e as provas já foram apresentadas. Agora foi aberto um prazo para as alegações finais da acusação e da defesa”, explicou o juiz Henrique Veiga Lima.
Mailson confessou que não portava habilitação para pilotar barcos e adquiriu um documento falso após o acidente. Ele também deve responder por esta ação em outro processo na Justiça. Além dos dois réus, o guia de turismo, Jailson Pereira de Jesus, foi a única testemunha a ser ouvida nesta segunda.
“Temos, no fato concreto, um homicídio culposo. Ninguém saiu de casa com o propósito de matar ninguém. A pena para este crime é pequena, de um a três anos. Talvez agrave porque alegaram que faltou a prestação de socorro. Isso que a defesa e o MP vão se digladiar para provar a tese que abraçar”, completou o magistrado.
O viúvo Charles, que mora em Kent, na Inglaterra, e estava de férias com a família em Manaus quando aconteceu o acidente, afirmou que move o processo para que acidentes como este não se repitam. “Achamos que os dois são culpados e é isso que esperamos da Justiça. O mais importante é que eles entendam as suas responsabilidades nos rios. É preciso haver mais segurança. Isso é mais importante do que eles passarem um tempo na prisão”, analisou o inglês, referindo-se à possibilidade dos réus não irem à prisão mesmo sendo condenados.