Dias frios na Serra Gaúcha, mas que aqueceram a minha alma e que ficarão marcados para sempre no meu coração. Escrevo da histórica cidade de Bento Gonçalves, onde na noite do dia 31 de maio (domingo), tive a honra de ser a primeira pessoa da Região Norte a receber a maior comenda que um membro do fisco estadual e distrital brasileiro pode receber, a “Comenda da Ordem do Mérito da Febrafite”, em plena abertura de um Congresso Internacional.
Essa vida é mesmo muito interessante. Há exatos 12 anos atras, nesta mesma época, numa madrugada gelada, eu desembarcava em Bento depois de uma longa viagem. E ao desembarcar do carro uma pessoa nos esperava lá fora, com imensa alegria. Seus olhos brilhavam, e esfregando as mãos com tanto frio abraçava a cada um, e me abraçou com entusiasmo, sem me conhecer, mas como se me conhecesse há anos. No dia seguinte soube o seu nome: Roberto Kupski, presidente da Federação.
E diante de uma plateia de aproximadamente quinhentas pessoas de todo o Brasil, recebi esta honraria das mãos do mesmo líder, na mesma cidade onde começou a minha vida de representante de classe. E no palco eu não estava sozinho, carregava comigo a minha querida cidade de Parintins, o Amazonas, e milhares de brasileiros que trabalham anonimamente o tema cidadania através do Programa de Educação Fiscal e que tentam, nas suas andanças, mudar consciências e comportamentos, levando aos cidadãos informações e conhecimentos para que a sociedade possa viver de cabeça erguida e feliz, num país tão rico, mas tão sofrido por mazelas aqui implantadas.
Paulo Freire já dizia: “a Educação não transforma o Mundo. A Educação muda as pessoas. As pessoas mudam o mundo”. E hoje – como auditor fiscal e educador – nada mais faço do que a minha obrigação, devolvendo à sociedade tudo o que recebi na minha formação. Ao percorrer escolas, comunidades, municípios amazonenses e estados amigos, mostro o quanto é importante você conhecer como funcionam os três poderes, os direitos e deveres, a Constituição, a função socioeconômica dos tributos, de onde vêm e para onde vai o dinheiro público, bem como praticar o controle social para ter a certeza de que o seu dinheiro está sendo bem aplicado.
E práticas nocivas à sociedade como falta de ética, pirataria, contrabando, descaminho, desvios de verbas, bem como práticas irritantes como o vandalismo e a depredação do patrimônio público não escapam deste mutirão de cidadania, pois tudo afeta diretamente a coletividade, sem esquecer do voto consciente e responsável, altamente desconhecido por milhões de brasileiros acomodados, manipulados ou desinformados, que fazem piorar a prática política nesse país.
No momento deste reconhecimento nacional pela minha categoria, é hora de esquecer os “não” recebidos, a desconfiança, a indiferença, o pensamento negativo, o querer logo, o imediatismo, as dificuldades iniciais, as barreiras visíveis e invisíveis, os que não acreditavam, os que não sonhavam o meu sonho. É hora de turbinar os que acreditam que mudanças são possíveis, é hora de interligar projetos e programas, de valorizar a todos, pois fazemos parte de uma enorme engrenagem.
A Febrafite corre na frente, está sempre na vanguarda, homenageia em vida e gera exemplos para que o Brasil aprenda, de forma didática, a valorizar pessoas. Lembro que o Brasil não conhecia Chico Mendes, mas o mundo conhecia. É hora de agradecer a distinção honrosa e compartilhar com a minha família, com a minha categoria, com os professores, com a Esaf, Sefaz, Seduc, Semed, RFB e demais instituições parceiras, e com todos os que participaram ou participam deste sonho, hoje realidade.
*Augusto Bernardo Cecílio
Auditor fiscal da Sefaz.
Veja mais notícias em Colunas
* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.