04/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amazônia desenvolve pesquisas sobre navegação autônoma de drones

Publicado em 04 de setembro, 2026

Por Augusto Bernardo Cecílio 

Quando pensamos em drones autônomos, talvez a primeira imagem seja a de uma aeronave capaz de voar sem piloto. Mas o que existe antes de uma máquina conseguir reconhecer um ambiente, definir uma trajetória e tomar decisões com segurança?

Existem câmeras, softwares, testes, simulações e, principalmente, pesquisadores tentando encontrar respostas para problemas que surgem enquanto essas tecnologias são desenvolvidas.

No Amazonas, parte dessas respostas está sendo construída pela FPFtech, instituição de pesquisa, desenvolvimento e inovação com quase três décadas de atuação e presença consolidada no ecossistema tecnológico da região Norte.

Dois estudos desenvolvidos pela instituição foram aceitos no Congresso Brasileiro de Software: Teoria e Prática (CBSoft 2026). Os trabalhos investigam desafios diferentes relacionados a navegação autônoma de drones, mas compartilham algo importante: transformam situações encontradas durante o desenvolvimento tecnológico em pesquisa científica.

Um deles analisou a influência da calibração das câmeras na navegação em ambientes internos. O resultado mostrou uma redução de 63% nos erros de navegação no eixo transversal após a calibração.

Pode parecer apenas um ajuste técnico, mas há uma questão maior por trás desse número. Em locais fechados, como armazéns e centros logísticos, onde não é possível depender do GPS, o drone precisa interpretar corretamente aquilo que está ao seu redor para saber onde está e para onde deve seguir.

Se a câmera fornece uma percepção imprecisa, um comportamento inesperado pode até ser confundido com um problema no código. A equipe passa a procurar uma falha no software quando a origem pode estar na maneira como o equipamento está “enxergando” o ambiente.

Ou seja: antes de perguntar se o software está tomando a decisão certa, é preciso garantir que ele esteja recebendo informações confiáveis para decidir.

O segundo estudo parte de outro desafio: como testar e aperfeiçoar o software de uma frota de drones sem depender, a cada alteração, de todos os equipamentos físicos?

A resposta encontrada passa pela simulação 3D.

Em um ambiente virtual de alta fidelidade, as equipes conseguem reproduzir situações próximas às de uma operação real, testar comportamentos, identificar falhas e repetir cenários antes de levar o sistema aos drones físicos. Os resultados apontaram redução no tempo necessário para corrigir falhas no ambiente real, contribuindo para tornar o ciclo de desenvolvimento mais eficiente.

Quando diferentes drones precisam atuar de maneira coordenada, essa possibilidade ganha ainda mais relevância. Em vez de mobilizar toda a frota para cada novo teste, parte das hipóteses pode ser avaliada primeiro virtualmente.

Não se trata de substituir o teste físico. Trata-se de chegar até ele mais preparado.

Mas talvez exista outra pergunta por trás desses dois trabalhos: o que acontece quando os desafios encontrados durante o desenvolvimento deixam de ser apenas problemas a resolver e passam a ser conhecimento para compartilhar?

É justamente aí que tecnologia e ciência se encontram.

Na FPFtech, essa relação faz parte de uma atuação que reúne pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em áreas como engenharia de software, sistemas autônomos, robótica, visão computacional e simulação. Ao sistematizar resultados, testar metodologias e transformar aprendizados em produção científica, experiências construídas pelas equipes podem ultrapassar os limites de um projeto e contribuir para novas pesquisas e soluções.

A chegada desses trabalhos ao CBSoft 2026 também chama atenção por outro motivo: eles foram desenvolvidos no Amazonas.

E isso ajuda a ampliar a forma como enxergamos a própria Amazônia.

Uma região conhecida mundialmente por sua biodiversidade também é formada por engenheiros, desenvolvedores e pesquisadores trabalhando com tecnologias de alta complexidade. Quando esse conhecimento chega a espaços nacionais de discussão científica, a região deixa de aparecer apenas como lugar onde a tecnologia é aplicada e passa a ocupar também o lugar de onde ela é produzida.

Talvez seja esse um dos significados mais importantes da participação da FPFtech no CBSoft.

Não se trata apenas de apresentar dois artigos sobre drones autônomos. Trata-se de mostrar que desafios encontrados no desenvolvimento podem gerar ciência, que a inovação também se constrói fora dos centros tradicionalmente associados à tecnologia e que a Amazônia tem profissionais produzindo conhecimento capaz de dialogar com pesquisadores de diferentes partes do país.

Porque a Amazônia não precisa ser apenas o lugar onde novas tecnologias chegam.

Ela também pode ser o lugar onde elas são pesquisadas, desenvolvidas e aperfeiçoadas.

E parte do futuro da tecnologia brasileira pode, sim, começar daqui.

*Auditor fiscal e professor

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.