Santo que é santo não diz que fez o milagre, mas, em se tratando de defesa do Polo Industrial de Manaus (PIM), essa regra não vale. Nesse caso, o que não falta é santo padroeiro, milagroso e multimídia incorporando a defesa das infindáveis investidas contra a prorrogação dos incentivos fiscais, criados para condicionar o processo de crescimento dessa longínqua parte do País: a Zona Franca de Manaus (ZFM).
Contudo, quem absorve o impasse gerado a cada novo ataque do comando político do principal Estado brasileiro e um dos principais interessados na transferência das indústrias e de sua generosa receita são as eficientes mãos dos mais de 110 mil trabalhadores metalúrgicos instalados no Polo Industrial de Manaus. É deles a responsabilidade da transferência da receita das empresas para o movimentado comércio local e, principalmente, para os investimentos em obras públicas e para expansão da economia do Estado, por via dos impostos embutidos.
Os metalúrgicos do Amazonas não são os santos milagreiros, mas bem que poderiam ser referenciados como tal. Mas, seguramente, são eles a fonte do orçamento que movimenta o comércio, a economia do Amazonas a partir da sua folha de pagamento, que girava em torno de R$ 154,8 milhões/mês de salários sem os adicionais possíveis.
Com o fechamento da Convenção Coletiva da categoria no início do mês de agosto, onde a direção do Sindicato conseguiu um aumento médio de 11% em cima dos salários, os metalúrgicos passam a injetar mais R$ 16,9 milhões/mês na economia da cidade, que somados à folha de pagamento anterior, o montante de dinheiro chega a R$ 170,9 milhões/mês.
Multiplicando os valores mensais por 12 folhas de pagamento mais o 13º salário, os metalúrgicos injetam na economia do Amazonas a astronômica cifra de R$ 2.222.220,000,00 (Dois Bilhões, Duzentos e Vinte e Dois Milhões e Duzentos e Vinte Mil Reais) por ano, só com os salários normais. Daí, podemos dimensionar o tamanho do milagre e o santo milagreiro de todo esse processo e porque sulistas e, agora, os nordestinos se interessam tanto por esse pecado capital.
Os metalúrgicos também ganham PLR, horas extras, adicionais, funções, planos de saúde, creches, restaurantes, que empregam profissionais, que também recebem os seus salários. Tudo isso faz parte da transferência de dinheiro para a economia da cidade.
Desde que começamos a divulgar os nossos artigos no www.portaldomarcossantos.com.br vimos falando da importância dos metalúrgicos e de todos os trabalhadores de outras categorias nesse processo. Os nossos trabalhadores são os mais rápidos do Brasil em termos de produção industrial. São também os mais eficientes, ágeis, precisos e cronologicamente acelerados quando colocados frente à linha de montagem. Eles são os técnicos capazes de desempenhar as suas funções ao ponto de se tornarem indispensáveis dentro do processo.
Os metalúrgicos são país de família, trabalhadores, estudantes, membros integrantes dos movimentos sociais ou não, são a composição dessa máquina que movimenta bilhões de dólares, os eficientes motivos que asseguram a permanência do modelo ZFM no Amazonas.
Nós, do Sindicato dos Metalúrgicos e da Central Única dos Trabalhadores, achamos mais que justas as reivindicações de todos os trabalhadores do Amazonas, quando feitas dentro dos preceitos democráticos e fundamentadas na compensação financeira por sua força produtiva. Jamais aceitaremos a difamação a quem tem o mecanismo da greve, como único recurso para conquistar os seus direitos.
* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.