Os deputados Ricardo Nicolau (PSD) e Luiz Castro (PPS) tiveram uma discussão acalorada, com troca de acusações, durante a sessão desta quinta-feira (13/03), na Assembleia Legislativa. Ricardo Nicolau acusou Luiz Castro de ter matado uma pessoa em um acidente de carro e que esse seria o real motivo para querer afastá-lo do cargo de corregedor da Assembleia, já que o caso está sendo investigado no colegiado. Castro, transtornado, chamou Ricardo de ladrão, por conta das acusações que lhe pesam quanto à obra do estacionamento da Assembleia. A sessão precisou ser suspensa pelo presidente da Casa, deputado Josué Neto, para que os ânimos se acalmassem.
A discussão entre os parlamentares começou quando Nicolau questionou Castro, que ocupava a tribuna, e defendeu que tudo fosse passado a limpo na CPI da Pedofilia. Irritado, Luiz Castro respondeu que era a favor da apuração de qualquer situação que envolva pedofilia e também de denúncias de chantagem e extorsão. Em seguida, ele criticou Ricardo Nicolau por não ter a “decência” de se afastar do cargo de corregedor da Assembleia, já que ele foi denunciado por superfaturamento em obras quando presidente da Casa.
Foi quando Ricardo Nicolau perguntou a Luiz Castro se o seu sogro, que foi condenado por pedofilia, também seria ouvido na CPI. A partir daí os dois desceram a ladeira, mesmo após o som dos microfones ter sido cortado.
Veja o vídeo da discussão:
À tarde, o deputado Ricardo Nicolau distribui a seguinte nota:
Nota à imprensa
Prezados,
Venho por meio desta lamentar, profundamente, a desavença ocorrida na manhã de hoje, durante reunião plenária, quando fui insultado e provocado pelo deputado estadual Luiz Castro.
Naquele momento, eu abordava meu declarado apoio à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no âmbito da Assembleia Legislativa do Amazonas que investigue os crimes de pedofilia no Estado, sem blindagem ou protecionismo a quem for.
Ocorre que ao contrário de mim, que defendo uma CPI aberta, o deputado Luiz Castro prefere uma CPI alfaiate, com a intenção de proteger pessoas como seu sogro, já condenado pelo crime de pedofilia e que cumpre prisão domiciliar.
Prova disso é que na reunião de ontem, a portas fechadas, ele propôs que a CPI da Pedofilia da Aleam fosse restrita a agentes públicos.
Na reunião plenária de hoje, em aparte, eu indaguei o deputado Luiz Castro sobre o seu posicionamento a respeito das novas denúncias de pedofilia noticiadas pelo jornalista Ronaldo Tiradentes contra os empresários Dissica e Umberto Calderaro, do grupo A Crítica.
Para surpresa minha e dos presentes, o deputado Luiz Castro reagiu grosseiramente e me atacou de maneira vil, cogitando meu afastamento da Corregedoria desta Casa Legislativa.
Afirmo que o verdadeiro interesse do deputado nessa questão está em um processo que tramita na Corregedoria em função de uma denúncia que o responsabiliza pela morte de uma pessoa em um acidente de trânsito.
Na denúncia consta que o acidente fatal aconteceu em agosto de 2013 e que, na ocasião, o deputado Luiz Castro estaria dirigindo alcoolizado quando colidiu no veículo da vítima, na avenida Santos Dumont, próximo ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Consta que ele não teria prestado socorro, além de ter transferido a autoria do acidente para o próprio filho.
Em outro ponto, a denúncia afirma que o deputado Luiz Castro teria ido pessoalmente ao Hospital Pronto-Socorro João Lúcio, para onde a vítima foi transferida após o acidente, e que pagou por todos os custos referentes a serviços funerários.
Em sua defesa, o deputado Luiz Castro apresentou à Corregedoria uma perícia totalmente parcial, realizada sem a presença de todos os indivíduos envolvidos no acidente, uma vez que um deles, a própria vítima, havia sido encaminhada ao Hospital João Lúcio.
O processo segue em fase de investigação na Corregedoria da Casa e tramitava em sigilo. Mantivemos a responsabilidade, ao longo das investigações, de não expor tais fatos, que vieram à tona publicamente na manhã de hoje.
Demonstrando destempero, o deputado Luiz Castro também não suportou falar sobre suas ações de quando ocupava o cargo de secretário da Secretaria de Estado da Produção Rural em relação a leite e ao vírus da febre aftosa, que atingiu o Amazonas durante a gestão dele, o que gerou prejuízo à pecuária nacional.
Como homem público, eu sempre estive à disposição para responder a quaisquer questionamentos envolvendo o edifício-garagem da Aleam. Luiz Castro, assim como todos os deputados, recebeu o laudo técnico assinado pela Universidade Federal do Amazonas que comprova não haver irregularidade alguma na obra. Tema este que está sendo resolvido no foro competente.
Reafirmo que o deputado Luiz Castro ficou contrariado porque é favorável a uma CPI alfaiate, que se restrinja apenas a casos como o do prefeito de Coari, enquanto eu defendo um trabalho aberto e livre de interesses políticos e pessoais.
Ricardo Nicolau – Deputado Estadual
O deputado Luiz Castro não publicou nenhuma nota sobre o episódio.
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