03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Procura por acesso ao crédito rural triplica na Seind

Publicado em 13 de janeiro, 2014

A Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) recebeu aproximadamente 2,3 mil solicitações para a retirada da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP), entre indígenas, no ano de 2013. O número é três vezes maior ao ano anterior, que ficou em 779 pedidos.

O município a apresentar maior demanda foi Santo Antônio do Içá (a 888 quilômetros de Manaus), no alto rio Solimões, com 530 solicitações, seguido de Autazes, que obteve 400, e São Gabriel da Cachoeira, com 300.

A alta procura é motivada pelos programas sociais oferecidos pelo Governo Federal em parceria com o Governo do Amazonas e, principalmente, por conta das grandes enchentes e vazantes dos últimos anos, que resultaram em prejuízos nas áreas de várzea do Estado. Boa parte dos agricultores indígenas tenta recuperar o que foi perdido no período.

A DAP é o instrumento que identifica o agricultor familiar ou a forma associativa organizada a qual ele pertence, para a realização de operações de crédito rural financiadas pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

A Seind é a intermediadora corresponsável pela liberação do documento junto ao Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam). O trabalho é desenvolvido por meio da câmara técnica “Sustentabilidade Econômica dos Povos Indígenas”, do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

“A importância da parceria com a Funai, que fez o entendimento nosso com o MDA e o IDAM para a emissão do documento, possibilita o acesso dos indígenas às políticas públicas”, destacou o secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa.

Gratuita

A emissão da DAP é grátis e permite acesso a programas estaduais e principalmente federais de crédito rural ou de comercialização de produtos da agricultura familiar, artesanato, pescado, extrativismo e outros.

Entre os mais destacados estão o “Luz para Todos” e o “Minha Casa, Minha Vida Rural”, por meio do qual deverão ser construídas até duas mil unidades habitacionais em terras e comunidades indígenas. Para cumprir esta meta, a Seind tem intensificado o cadastro de agricultores familiares indígenas junto ao Idam.

Vinte anos

O agricultor familiar Eleude Silva é um dos 50 indígenas de Boca do Acre que fizeram a solicitação da DAP junto à Seind. Indígena do povo apurinã, ele trabalha com agricultura desde 1994 e fez o pedido entre os anos de 2011 e 2012.

O incentivo tem ajudado o dia a dia de 20 indígenas, da aldeia Camicuã, no cultivo de produtos como a mandioca e o abacaxi.

“Nos últimos meses, a DAP também o incentivou a trabalhar com a pupunha, cujo resultado sai num prazo um pouco maior do que os demais produtos, mas que também serve para a sustentabilidade dessas famílias”, informou o técnico do Departamento de Etnodesenvolvimento da Seind (Detno), Cláudio Pequeno Apurinã, que é de Boca do Acre e tem acompanhado o trabalho de Eleude no município.

 

MUNICÍPIO SOLICITAÇÕES
Santo Antônio do Içá

530

Autazes

400

São Gabriel da Cachoeira

300

Maraã

200

Tefé

200

Alvarães

  86

Boca do Acre

  50

Manicoré

  50

Coari

  49

Coari                  30
Outros                531
Total             2.377

Fonte: Seind

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