17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Planta amazônica inibe em até 80% efeitos da malária, aponta pesquisa

Publicado em 26 de julho, 2011

A realização de testes com o extrato de uma planta amazônica, conhecida como caferana, estuda o fato dela inibir em até 80% os efeitos da malária. É o que aponta a pesquisa ‘Estudo in vitro da atividade antimalárica de extratos e frações dos frutos de Picrolemma Sprucei’, apresentada na segunda-feira, 25 de julho, no Congresso de Iniciação Científica da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Segundo a estudante de Iniciação Cientifica do 7° período do curso de Farmácia do Centro Universitário do Norte (UniNorte), Maria Deliane Nascimento, o estudo possibilitou o experimento de várias amostras sanguíneas originárias da picada do mosquito, do gênero Anopheles, infectado pelo protozoário Plasmodium.

A acadêmica diz que o objetivo principal da pesquisa foi avaliar os efeitos do extrato da caferana, conhecida no meio científico como Picrolemma Sprucei, enquanto inibidora da malária. A pesquisa teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic).

Indígenas já conheciam a Caferana     

De acordo com a estudante, as sociedades indígenas amazônicas já realizam a cura da malária por meio do extrato da caferana. “Os índios utilizavam também para outras enfermidades, como por exemplo, a diarreia e o câncer”.

Segundo a pesquisadora, o processo de investigação se deu não somente nos experimentos de laboratório, mas por meio de consultas em artigos publicados em revistas especializadas sobre o assunto e visitas constantes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Benefícios

Para Nascimento, não é fácil encontrar a caferana na floresta amazônica, entretanto o caboclo amazônico conhecedor das ervas medicinas coloca à disposição folhas secas da erva encontrada nos mercados e feiras da cidade. “Quanto ao processo de industrialização do extrato, a população de baixa renda terá acesso ao medicamento, que de certa forma inibe a doença, comum em nossa região.

Sintomas e transmissão da malária

Os sintomas mais comuns da malária são: calafrios, febre alta (no início contínua e depois com frequência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios.

“Além dos sintomas correntes, aparece uma ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma”, comentou Nascimento.

O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo Plasmodium ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto na gravidez.

Segundo Nascimento, o financiamento da bolsa de iniciação científica pela FAPEAM foi de extrema valia. “O risco de contaminação dos processos de experimentos é muito grande. Há necessidade das repetições de materiais no laboratório. Então, a FAPEAM é fundamental no financiamento para a compra de novos materiais e execução do projeto”, disse.

Sobre o Paic

O Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisa em instituições públicas e privadas do Amazonas.

Veja mais notícias em Releases

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.