Lisboa – A Medida Provisória 534 causa enorme dano à economia amazonense. Efeito colateral, por exemplo, é São Paulo haver desonerado a produção de tablets, acirrando, inconstitucionalmente, a guerra fiscal.
Raciocinemos: sem essa MP, as condições de o grande estado do leste competir conosco seriam muito menores. Com ela, caiu a sopa no mel. Ou seja, definitivamente, a MP 534 lesa o Amazonas, produzindo consequências diretas e indiretas.
Não nos iludamos, portanto, em relação ao futuro. Se aspiramos a merecê-lo, temos de repactuar a Zona Franca de Manaus, envolvendo governos, parlamentares, empresas, órgãos de produção científica.
Não iremos longe sob caos logístico e sem a revitalização da Suframa. E sem engajarmos na luta em defesa do Polo Industrial os estados da Amazônia Ocidental mais Amapá. Para isso, precisaremos de fundos que lhes auxiliem no esforço pelo desenvolvimento. Em poucas palavras: os aliados em potencial, se pragmaticamente motivados, alinharão conosco. Em caso contrario, ficarão na retórica e ponto final.
A presidente Dilma arbitrou contra o Amazonas e deu oportunidade a que São Paulo, mais uma vez, cometesse a estultice de virar as costas para a periferia brasileira. O Brasil optou pelo mais forte e o mais forte prefere não recordar que sua prosperidade veio, em boa medida, do generoso braço nordestino e da transferência de renda da borracha para o seu processo industrializador.
Fomos vitimados por esse poderoso complexo de forças, mas nem por isso poderemos deixar de fazer a parte que nos cabe. A começar pela definição clara da pauta amazonense. Sem isso, não uniremos sequer o estado e estaremos fadados a amargar drástica derrota.
Medidas pontuais, atitudes espontaneístas e subserviência não impedirão a débacle. A disposição do governador Aziz de ir ao STF, em contestação ao gesto de São Paulo, é correta. Mas a reação haverá de ser sistêmica.
Um dos pontos é ir ao Supremo. Outro á a ação parlamentar. Um terceiro é exaustivamente explicarmos o valor estratégico da ZFM ao país. O conjunto e o entrosamento das atitudes é que maximizarão as forças amazonenses.
Não dá para deitarmos eternamente nas vantagens advindas dos incentivos fiscais. Eles ajudam por um lado e lá a deplorável infraestrutura do estado aparece para aumentar os custos e dificultar a concorrência.
Insisto na confecção de pauta que una o Amazonas. Claro que sem reuniões intermináveis e inconclusivas. Uma pauta objetiva e clara, que comprometa o governo federal, proponha o diálogo com os estados que apresentam contencioso conosco e defina o papel de cada setor, a começar pelas empresas do Distrito Industrial.
Só vence quem sabe o que quer, persevera e não teme os percalços. Só vence quem conhece bem a si próprio e não desconhece o peso dos adversários.
Só vence quem não se prende ao presente-passado, para não abrir mão do presente-futuro.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus