Por Daniel Sales
No 1º Governo de Plínio Coelho houve o início das obras da estrada Manaus- Itacoatiara (1956). Por onde havia igarapés no curso da rodovia se construíram pontes de madeira. Depois substituíram as mesmas pelo concreto armado. Por cima do Igarapé do Quitó, no Km 17, fez se uma delas. Um comerciante de nome Severino Andrade abriu um ponto comercial ao lado da ponte e pôs o seu cunhado para gerenciá-lo. Muitos viajantes que iam à Itacoatiara paravam no comércio para abastecer e… Por que não, tomar banho no aprazível local. Iniciou também os “saltos ornamentais” desde a ponte até lá embaixo nas límpidas águas. Aos poucos o Balneário foi tomando forma.
Falando nisso lembro de um sujeito por nome Lauro (ali em meados da década de 1970) que quase em todos os finais de semana era contumaz frequentador do local. Quando voltava de lá, já à noite, vinha contando as suas aventuras e desventuras, inclusive dos seus saltos lá de cima da ponte.
Pois bem, voltando aos “primórdios”, um cidadão boliviano, frequentador deste local, de nome Hernán Suarez sempre fazia propaganda desse ponto lá no Centro de Manaus, atraindo mais fregueses para o local. Com o passar do tempo o dono do comércio homenageou o boliviano pondo o nome desse “point” de PONTO DO BOLÍVIA. À época o governo já havia fechado para banhos o antigo Balneário do Parque 10 de novembro (por causa da poluição do trecho do Igarapé do Mindú que passava pelo conhecido Balneário, doravante às águas servidas do recém construído conjunto da COHAB-AM do Parque 10, construído à montante do “Banho”). O Governo comprou a Ponta Negra e a entregou ao povo. O termo “Ponta do Bolívia” era uma forma cultural-linguística- modal da época (Já haviam transformado do original). Pois bem, o povo mudou esse nome por causa da ponte mesmo. E ficou: PONTE DA BOLÍVIA (Mais fácil, não?). Tão famoso se tornou o local que o próprio igarapé foi mudado de nome para Igarapé da Bolívia. Esse igarapé recebe vários afluentes, dentre os quais o Igarapé do Acará e o que passa próximo ao Aterro Sanitário. Deságua no Rio Tarumã, que por sua vez deságua no Rio Negro.
Em março de 2020 a fiscalização ambiental da Prefeitura apoiada pelo Grupo preventivo de invasões e mais a Secretaria de Segurança pública retiraram dezenas de invasores do local.
A retirada se deu por denúncias. E o local é uma reserva permanente de proteção ambiental.
A paisagem de hoje do local do antigo Balneário é bem diferente do que havia nas décadas de 1960/70/80. A mata adentrou nas águas. A água, em si, é bastante poluída. O preço do “progresso” é visto e sentido.
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* Daniel Sales é pesquisador cultural.