
Larissa Dutra teria sido colocada na função de presidente do Iphan depois que Bolsonaro reclamou da atuação do instituto em uma obra do empresário Luciano Hang, apoiador do presidente. Foto: Divulgação
A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, foi afastada neste sábado (18), pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, que aceitou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) e do ex-ministro da Cultura e deputado federal licenciado Marcelo Calero (Cidadania-RJ). A decisão foi assinada pela juíza Mariana Tomaz da Cunha, da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
O pedido de afastamento foi feito após o presidente Jair Bolsonaro comentar que havia “ripado” funcionários do instituto que interditaram uma obra do empresário Luciano Hang, um de seus principais apoiadores. O comentário foi feito na última quarta-feira (15), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São (Fiesp).
Larissa Dutra tomou posse na presidência do Iphan em outubro e teria sido colocada na função depois que Bolsonaro reclamou da atuação do Iphan. O instituto decidiu paralisar as obras de uma loja comercial de Luciano Hang após um artefato arqueológico ter sido encontrado em escavações.
“Também, há pouco tempo, tomei conhecimento que uma obra, uma pessoa conhecida, o Luciano Hang, estava fazendo mais uma loja e apareceu um pedaço de azulejo durante as escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta [e perguntei]: ‘que trem é esse?’. Porque eu não sou tão inteligente como meus ministros. ‘O que é Iphan?’, explicaram para mim, tomei conhecimento, ripei todo mundo do Iphan. Botei outro cara lá. O Iphan não dá mais dor de cabeça pra gente”, disse o presidente, aos risos.
Larissa Dutra ficará afastada da presidência do Iphan até o julgamento do mérito do caso.
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