Um ano após receber do Ministério das Relações Exteriores a garantia de que seriam tomadas providências em relação aos constrangimentos de brasileiros na Venezuela, o deputado estadual Marcos Rotta (PMDB) foi surpreendido, na manhã desta quarta-feira (29), com uma declaração da própria pasta, a qual informou não ter conhecimento sobre os abusos sofridos pelos turistas naquele país.
A informação do Ministério das Relações Exteriores foi repassada ao deputado estadual Abdala Fraxe, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), durante audiência na Câmara de Deputados em Brasília sobre o constrangimento enfrentado pelos brasileiros nas estradas venezuelanas.
Segundo Abdala Fraxe, o governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, alegou total desinformação sobre os casos de maus tratos aos brasileiros no país vizinho.
“Causou-me estranheza a alegação do ministério sobre total desinformação, pois isso não condiz com os fatos. Em fevereiro de 2012, enviei ao próprio ministério um dossiê completo, com notícias veiculadas na mídia local e relatos de turistas brasileiros, vítimas de maus tratos na Venezuela. E, embora tenha levado quatro meses, recebi a resposta do Ministério das Relações Exteriores assinada pelo chefe da Assessoria Especial de Assuntos Federativos e Parlamentares”, comentou Rotta.
De acordo com o parlamentar, no documento, o ministério informava que já havia acionado a Embaixada do Brasil em Caracas para adotar medidas urgentes para solucionar o problema.
Além da Embaixada, o ministério comunicava ainda que o Consulado-Geral em Caracas, o Consulado em Ciudad Guyana e o Vice-Consulado em Puerto Ayacucho e Santa Elena de Uairén teriam sido instruídos a realizar gestões junto às autoridades locais, “com vistas a solucionar problemas de extorsão a brasileiros denunciados nas regiões de Puerto La Cruz e El Tigre”.
Ainda conforme o documento do ministério, a Embaixada informava que já haviam sido agendadas reuniões com o comandante da Guarda Nacional Bolivariana, o diretor-geral do Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (Saime) e o ministro de Turismo daquele país.
Na avaliação de Rotta, o ministério utilizou-se da alegação de “total desinformação sobre os casos” para justificar a ausência de medidas. “Ao que tudo indica, o ministério tentou explicar a falta de providências alegando não ter conhecimento da situação. Talvez seja porque, passados 15 meses da denúncia feita por mim, nenhuma medida tenha sido tomada por parte do governo federal, em relação aos maus tratos sofridos pelos brasileiros na Venezuela. Mas nós brasileiros temos de ser respeitados e vamos cobrar providências quanto a isso”, ressaltou Rotta.