O Governo do Amazonas planeja, até 2014, instalar 40 novas estações de monitoramento dos rios em vários pontos no Estado. Desde o início do mês de abril deste ano, já foram instaladas quatro novas estações, uma delas em Manaus, na central de abastecimento de água da Ponta do Ismael, na zona oeste. Outras seis estações estão em fase de instalação no interior. As estações de monitoramento foram adquiridas pelo Governo Federal e repassadas por meio de convênio ao Governo Estadual.
As novas estações serão controladas pelo Centro de Monitoramento, administrado pela Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH), e vão auxiliar o acompanhamento do fluxo das águas no Amazonas para melhorar o trabalho de prevenção dos efeitos das cheias e vazantes dos rios, além de ajudar na análise da qualidade das águas da região.
De acordo com o secretário da SEMGRH, Daniel Nava, em algumas localidades, a medição dos rios ainda é feita de forma manual por moradores da região. “Em alguns casos são moradores que fazem esse monitoramento e aí eles precisam procurar um telefone, em alguma localidade, para nos passar as informações. Com a modernização do sistema, esse trabalho vai ficar mais fácil”, destacou.
Segundo Daniel Nava, o monitoramento possibilita que a Defesa Civil do Estado possa atender situações de emergência, principalmente de famílias afetadas pelas cheias, mas também tomar medidas preventivas. Ele explica ainda que as novas estações vão melhorar esse monitoramento.
No Centro de Monitoramento, instalado na sede da SEMGRH, é possível obter informações de todas as mais de 300 estações de monitoramento espalhadas por toda a Amazônia Ocidental. Técnicos da SEMGRH acompanham diariamente as mudanças que acontecem em cada ponto onde as estações estão instaladas, como a subida, descida das águas, nível das chuvas, entre outros aspectos que também são avaliados. Além das novas estações, outras já existentes serão substituídas por equipamentos mais modernos.
A geógrafa Anete Ramos explica que o trabalho é feito online com o sistema de satélite, que envia as mesmas informações para o centro de monitoramento da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília (DF). “Graças a essas estações estamos conseguindo captar essas informações ao vivo e acompanhar o nível dos rios”. Segundo ela, as estações recém-instaladas estão passando por um processo de calibração, para que as informações repassadas sejam seguras e, assim, possam ser lançadas diretamente no sistema nacional de monitoramento em Brasília.
O Centro de Monitoramento foi inaugurado no início do último mês de março e passou a monitorar em tempo real todas as alterações nos rios do Amazonas, que ocorrem anualmente por conta do período de chuva e também na época da estiagem. Com o centro, o Estado agora passa a fazer parte do sistema nacional de monitoramento, coordenado pela ANA e que fazem parte ainda o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Plano Diretor
Com o Centro de Monitoramento, o Governo do Estado vai elaborar um plano diretor para as cidades da Região Metropolitana, que sofrem quase todos os anos, com a subida dos rios. “Numa vazante, ou numa grande cheia, é a região que concentra mais pessoas e que tem consequentemente, nesses eventos críticos”, explicou Daniel Nava.
Ele afirmou, ainda, que o plano diretor vai possibilitar que se saiba, exatamente, quais as intervenções em obras e investimentos, serão necessárias. Também será feito um estudo, com a participação de diversas instituições, entre elas a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para saber qual a qualidade das águas e de que maneira elas podem ser aproveitadas no sistema produtivo, por exemplo.
Comunidades rurais
O Centro de Monitoramento também vai auxiliar os trabalhos da Defesa Civil Municipal em 32 comunidades rurais de Manaus. A ideia, assim como o que vai ser feito com os municípios da região metropolitana, é estabelecer um plano para que as famílias que vivem nessas comunidades sejam minimamente afetadas pela subida e descida dos rios.
De acordo com a secretária executiva da SEMGRH, Jane Crespo, tomar decisões com antecedência pode minimizar os efeitos das cheias e vazantes, como por exemplo, com a remoção das famílias que vivem nessas localidades, imóveis, preservar patrimônio, além de garantir a qualidade das águas. “A ideia é que a gente consiga fazer esse monitoramento. Com isso nós vamos poder evitar os impactos que tem acontecido ultimamente como a contaminação de corpos hídricos, assoreamento, ou ainda de tempo de permanência de águas em alguns lagos, que liberam gases”
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