Com a sabedoria que utiliza para transformar minério em pontes e prédios, o homem é capaz de transformar a realidade ao seu redor. Assim, a coordenadora de Responsabilidade Social Empresarial do SESI de Minas Gerais, Marisa Seoane Rio Resende, introduziu o tema da mesa redonda “A prática do voluntariado como elemento de transformação social”, promovida nesta quarta-feira (13.07) com parceiros do SESI Amazonas no programa Ação Global.
Para uma plateia de cerca de 120 representantes de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e outras organizações públicas e privadas, Marisa Resende localizou a necessidade de transformação social em áreas como educação, saúde, meio ambiente, moradia, alimentação, e disse que é preciso eliminar a cultura da condescendência, de fechar os olhos e dizer “é assim mesmo” porque nada é assim mesmo.
Para a palestrante, uma das questões mais sérias a serem enfrentadas pela humanidade é a ambiental. Segundo ela, o Brasil ainda está cheio de vantagens diante de outros países com relação a água e energia, mas essas riquezas já são foco de uma série de conflitos que tendem a se agravar com o tempo. “Se o petróleo foi o grande foco de conflito em décadas passadas, existe uma projeção de que a água seja o foco de conflitos mundiais no futuro. Não é à toa que tantas pessoas de outros países estão comprando terras com água no Brasil. A tendência é de que a água venha a ser uma riqueza rara e ponto de conflito muito grande”, disse Marisa.
Ainda de olho no futuro, Marisa Seoane Resende disse que, na educação, os estudantes hoje têm que ser preparados para profissões que ainda não existem porque usarão tecnologias que ainda não foram inventadas. Segundo ela, as dez profissões que serão indispensáveis em 2020 sequer existiam em 2010. “O fato é que o mundo mudou e a gente não viu porque não prestou atenção. As nossas relações pessoais e mesmo de trabalho mudaram, mesmo que a gente não tenha percebido”, disse ela.
Marisa Resende, que além de coordenadora de RSE do SESI/MG é presidente do Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais – CeMais, e participa do Movimento Nossa BH, disse que o raciocínio de quem cria os projetos sociais tem que ser ousado, além de ter que valorizar as pessoas. “Tem que ter coragem de correr riscos e de propor desafios maiores , apostar nas pessoas porque se não você acaba fazendo o processo inverso e as coisas só vão ficando pior, trabalha e trabalha e não chega a lugar nenhum”.
Voluntariado
“Diante do conhecimento da realidade que a gente precisa ter, o próximo passo é agir”, ensinou Marisa Seoane Resende. E é onde nasce a identificação de afinidades e talentos junto com a decisão de engajamento. “Ser voluntário é doar tempo, trabalho e talento. E uma das coisas mais preciosas que a gente tem é o tempo”, afirma. Segundo ela, é enganosa a ideia de que quem faz trabalho voluntário é quem tem tempo sobrando. “A grande maioria é aquele que não tem tempo nenhum”, disse.
Em relação ao voluntariado empresarial, Marisa disse que a primeira questão importante hoje é pensar que as grandes questões da humanidade precisam de gente para resolver e de estratégias. Nesse caso, segundo ela, nada melhor que empresas, que possuem uma expertise fenomenal em estratégias. “O que a empresa precisa fazer é pegar essa competência e colocar a serviço do trabalho voluntário, a serviço dos grandes problemas da sociedade, contribuindo assim para uma mudança social significativa.
Para Marisa Seoane, a empresa é quem cria condições para que o trabalho voluntário aconteça. Se criar condições de forma mais estruturada melhor vai ser o resultado. “Só o fato de criar essas condições e mobilizar as pessoas, já estará fazendo uma grande coisa porque as pessoas ouvem as empresas, uma grande parte dos empregados gosta do que a empresa faz e simplesmente precisam de um chamado”.
Ação Global
Antes da mesa redonda, a coordenadora técnica de programas e projetos sociais do SESI Amazonas, Silvane Almeida, repassou aos parceiros os principais resultados da Ação Global deste ano, em maio passado, no Clube do Trabalhador do Amazonas. Realizado desde 1995 em todo o Brasil por meio do SESI em parceria com a Rede Globo, o programa já beneficiou mais de 16,8 milhões de brasileiros ao garantir acesso gratuito a uma série de serviços de promoção à cidadania.
Em 2011, o programa contou com a participação de 113 parceiros. Segundo Silvane, mais de 62 mil pessoas receberam atendimentos no dia do mutirão e alguns ainda hoje continuam a receber atendimento médico das equipes do SESI, já como desdobramentos dos diagnósticos feitos na época.
Na rodada de debates, além de Marisa Resende e Silvane Almeida, participaram como expositores a especialista técnica na área de gestão ambiental da Moto Honda da Amazônia Ltda, Elen Cunha, e o diretor do Instituto de Identificação do Amazonas, Mahatma Sonhará Araújo.
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