
Omar Aziz e Arthur Virgílio (fotos) estão em reta de enfrentamento, sem motivo aparente, o que demonstra que colidem no objetivo para 2022, o Senado
O senador Omar Aziz e o ex-prefeito Arthur Virgílio se enfrentarão, em 2022, pela única vaga que estará disponível no pleito para o Senado Federal. É a que hoje pertence a Omar. Arthur ainda não arredou pé de disputar as prévias do PSDB para Presidente da República, mas já começou o embate direto contra o atual senador. No “staff” de Virgílio há até quem aposte que o projeto da reeleição de Aziz será engavetado e surgirá uma candidatura a deputado federal – mais segura e que, igualmente, garante a manutenção da imunidade parlamentar. Todos ao redor dele, irmãos e esposa, foram presos na Operação Maus Caminhos.
Omar realizou, durante o recesso da CPI da Pandemia, pesquisas para saber como o Amazonas recebeu o desempenho dele. As informações de bastidores são de que o resultado não foi o esperado, mas o senador pretende lutar para fortalecer pontos fracos. Paralelamente a isso, ele tem intensificado o contato com os prefeitos e demais parceiros do interior. É a base do projeto de reeleição.
Arthur aposta no desempenho do mandato de oito anos como senador, 2003-2010, até perder a reeleição para Vanessa Grazziotin (PCdoB). Ele foi eleito diversas vezes, pelos pares e o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o melhor senador do País. Só não disputará o Senado se vencer as prévias presidenciais dos tucanos, o que é muito difícil diante da máquina paulista do governador João Dória.
Omar está muito perto de se tornar o candidato ao Senado no Amazonas com apoio do ex-presidente Lula. O confronto encarniçado com o clã Bolsonaro, na CPI da Pandemia, tem servido para aumentar o cacife dele no petismo.
O problema é que, distante da máquina federal, o senador vem perdendo prestígio junto aos prefeitos do interior. As portas estão fechadas na Esplanada dos Ministérios e é de lá que Prefeituras retiram recursos. A máquina petista, ao mesmo tempo, outrora farta de verbas e empregos, deixou de existir.
Arthur tem dificuldade de trânsito tanto entre os eleitores de Bolsonaro quanto os de Lula, mas acredita que pode construir uma faixa própria. Os dois polarizam o eleitorado e quem se une a um enfrenta o ódio do outro. É o caso do bombardeio que Omar recebe dos bolsonaristas, por conta da CPI da Covid-19.
O ex-prefeito de Manaus já foi “Inimigo Nº 1” do ex-presidente no Senado. Agora parece menos propenso a mexer nesse vespeiro e tem atacado mais Bolsonaro.
O certo é que, se a disputa dos dois for confirmada – os bastidores da política dão como certa –, os demais concorrentes ao Senado colocam as barbas de molho. A bipolarização parece inevitável.