07/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ouro no Amazonas: detalhes da investigação que levou à prisão do subsecretário de Inteligência do AM

Publicado em 13 de julho, 2021

Ouro no Amazonas

Ouro no Amazonas, retirado do rio em dragas como essa (foto), foi apreendido no Careiro da Várzea e resultou na prisão do titular da Inteligência no Amazonas

Numa tarde modorrenta, dia 25/01/2021, por volta das 13h, um Jeep Troller azul foi abordado por 16 homens. Acabara de atravessar os rios Negro e Solimões na balsa da Ceasa. Trafegava na rodovia BR-319, a caminho de Porto Velho. Já havia passado a barreira da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Careiro da Várzea. Eram policiais que, alegando possível tráfico de drogas, revistaram o carro e encontraram 38,581kg de ouro, em 52 barras, avaliados em R$ 10,928 milhões. O portal teve acesso a outros detalhes da trama.

A partir daí se desenrolaram diversas investigações. A Polícia Civil, por exemplo, fez o Inquérito Policial 039/2021-10, do 10º DIP, sob responsabilidade do delegado Denis Alves Pinho. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) e a Polícia Federal (PF) fizeram a Operação Ouro Urbano. Ocorreram várias prisões. A principal delas foi a do secretário executivo-adjunto de Inteligência (Seai) do Amazonas, delegado Samir Freire.

O carro era dirigido por José Franciney da Costa, com escolta do coronel PM da reserva Daniel Picolotto Carvalho. Picolotto negou, afirmando que contratou Ney para ir buscar a sogra, com suspeita de Covid-19, em Humaitá. O autor da denúncia, Heliomar Moura Ribeiro, porém, disse que o coronel aposentado fazia o transporte há um ano e nunca tivera problema. Heliomar é sócio do proprietário da draga Mistureba, que garimpou o ouro no rio Jutaí, Raimundo José Cruz Junior.

Picolotto, segundo Heliomar, teria ficado com o documento que autorizava o transporte legal do ouro.

 

Seai

O enredo novelesco continua quando Picolotto e Franciney foram levados até a sede da Seai, no shopping Via Norte. Interrogados separadamente, na saída, o PM assinou um documento afirmando que recebeu todo o ouro de volta. No dia seguinte, ele ligou para Heliomar, marcou encontro na Cavalaria da PM e devolveu apenas 11 das 52 barras. O encontro foi testemunhado pelo cunhado de Heliomar, José Siqueira Neto.

A PF teria entrado na investigação poucos dias depois. Tanto que Daniel Picolotto disse a Heliomar que estava indo à sede da PF no dia 28/01, três dias após a apreensão e sumiço do ouro. Policiais suspeitam que, pressionado, ele teria fornecido os elementos para a continuação da investigação.

 

Ouro legal

O esquema de desvio de ouro estaria ocorrendo há muito tempo e já teria subtraído em torno de 600kg, segundo uma fonte policial. O problema é que a apreensão do Careiro da Várzea foi de ouro legal. Os envolvidos não contavam que os proprietários apresentariam documentos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) da Agência Nacional de Mineração (ANM). E que exibiriam contrato de parceria com a Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (Coogam), que trabalha no leito do rio Jutaí, no Município de Jutaí (AM).

A draga Mistureba é registrada junto à Marinha do Brasil e a única autorizada a trabalhar na área do contrato. Toda a produção tem que ser vendida, obrigatoriamente, em Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).

 

Preso na Delegacia Geral

O titular da Seai, delegado Samir Freire, está preso e custodiado na Delegacia Geral da Polícia Civil do Amazonas. A prisão temporária dele foi de 30 dias. Trata-se do maior período dessa modalidade de prisão, que pode ser de 5 a 30 dias.

Samir foi preso na Operação Garimpo Urbano, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPAM. O Gaeco pediu ajuda da PF para executar quatro mandados de prisão e outros de busca e apreensão, para evitar vazamentos.

Entre outras coisas, a PF teria feito um backup, isto é, copiado todos os dados, do equipamento conhecido como Guardião. É ele que executa os mandados de escuta telefônica no Amazonas. O backup abrangeu todo o período da gestão de Samir, à frente da Seai.

A Operação Garimpo Urbano deverá ter novos desdobramentos, nos próximos dias.

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