07/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Secretário de Inteligência, preso, é acusado de desviar 600kg de ouro. Governo anuncia demissão (tem correção)

Publicado em 09 de julho, 2021

Secretário de Inteligência preso

Secretário de Inteligência preso, Samir Freire (foto), é acusado de comandar grupo que roubava ouro usando escuta ilegal

O secretário estadual executivo adjunto de Inteligência do Amazonas (Seai), delegado Samir Garzedim Freire, foi preso na manhã desta sexta (09/07). Com ele, os policiais Adriano José Frizo, Jarday Bello Vieira e André Silva da Costa. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão com Jociel Andrade de Freitas, Daniel Picolotto Carvalho, coronel da reserva, e o filho, ex-PM, Daniel Alves Picolotto Carvalho, Wagner Flexa Saita e Raimundo José Cruz Júnior. Eles são acusados de desviar 600kg de ouro, avaliados em R$ 150 milhões.

A operação é originada no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O Gaeco tem apoio da Polícia Federal (PF).

O Governo do Estado anunciou, em nota, que Samir Freire será demitido. Estão foragidos, isto é, com mandados de prisão expedidos e ainda não encontrados, os PCs Adriano José Friso e André Silva Costa.

 

Guardião

O Gaeco e a PF fizeram busca e apreensão na famosa “sala do guardião“. Trata-se de equipamento avançado de escuta telefônica. Foram apreendidas todas as pastas de operações realizadas na gestão de Samir Freire e recolhidos os mandados expedidos à Seai.

Os policiais fizeram backup de todos os arquivos do período. A busca é por escutas ilegais.

O aparelho não foi levado porque é muito grande e há operações, legais, que estão em andamento. “A análise do backup vai nos ajudar a ver todas as escutas telefônicas ilegais que ocorreram no Amazonas, durante esse período”, disse um dos envolvidos na investigação.

 

A acusação

A PF e o Gaeco apuram denúncia feita por possíveis comerciantes ou contrabandistas de ouro. A Seai faria a escuta ilegal dos envolvidos, descobrindo rotas e locais de armazenamento. Era aí que a “equipe de rua”, formada por policiais militares e civis, entrava em cena e roubava o produto.

A ação já teria subtraído dos comerciantes cerca de 600kg de ouro. O grama, na cotação de hoje (09/07), está avaliado em R$ 249,79. O valor do produto seria, portanto, R$ 146,274 milhões.

 

VEJA, ABAIXO, AS NOTAS DO GOVERNO, SSP-AM E GAECO:

Governo do Estado

“O Governo do Amazonas informa que os agentes públicos estaduais alvos da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã desta sexta-feira (09/07), serão afastados dos cargos que ocupam e exonerados das funções.

O Governo do Estado ressalta que condutas ilícitas de qualquer servidor público estadual não são toleradas e que vai colaborar com as investigações, prestando todas as informações necessárias aos órgãos de fiscalização e à Justiça.”

 

Secretaria de Segurança

“O secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, determinou à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para julgar a permanência dos envolvidos na operação policial do MPE e PF nos quadros do sistema de segurança.

A SSP-AM está à disposição dos órgãos responsáveis pela investigação para contribuir com informações necessárias para a completa elucidação das suspeitas.”

 

Gaeco

“Na manhã de hoje o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado – GAECO deflagrou a Operação Garimpo Urbano, com apoio operacional da Polícia Federal. Durante a ação foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão tanto nesta capital como no interior do Amazonas e, ainda, no interior do Estado do Pará.

Ao todo foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão por equipes operacionais da Polícia Federal e do GAECO.
A operação em questão tem como objetivo coibir a ação de agentes públicos ligados a órgão de cúpula da Segurança Pública do Estado do Amazonas, supostamente envolvidos na subtração de ouro, mediante graves ameaças dirigidas aos transportadores do referido metal. Apura-se o monitoramento e abordagem das vítimas mediante uso de estrutura, pessoal e de expertise da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência – SEAI.”

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