
Oxigênio em Coari faltou pela manhã, diz prefeita Dulce (foto), e sete morreram por asfixia
A prefeita de Coari, Maria Ducirene da Cruz Menezes, a Dulce Menezes, 48, confirmou na manhã desta terça (19/01) que sete pessoas morreram por falta de oxigênio no hospital municipal de Coari. Havia 15 pessoas internadas. “Infelizmente, a Susam (Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas, SES-AM) confiscou 200 cilindros nossos”, disse a prefeita.
O juiz da 1ª Vara Cível de Coari, Fábio Lopes Alfaia, deferiu liminar para obrigar a SES-AM e a White Martins a abastecer a cidade em 48 horas. O magistrado determinou multa diária de R$ 100 mil/dia para o secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, e a empresa White Martins, que tem contrato de fornecimento com a Prefeitura de Coari. A empresa alegou que cessou o fornecimento por conta do confisco da secretaria estadual.
Coari é mais uma cidade envolvida no roldão do apagão de oxigênio no Amazonas. E com mortes.
Dulce está na prefeitura, mas é presidente da Câmara Municipal. A eleição municipal de 15/11, que reelegeu Adail Filho, está sob julgamento. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), ao qual compete julgar recursos pendentes, está em recesso. A Corte determinou novas eleições, em 40 dias, mas o prazo só começa a contar após o acórdão do julgamento. Que só virá depois de julgamento de embargos declaratórios e decisão sobre conceder ou não efeito suspensivo ao recurso.
A SES-AM, diante da crise em Manaus, determinou o confisco administrativo de todo o oxigênio possível. Cilindros que estavam sendo remetidos para o interior foram apreendidos, já que a ordem foi cumprida verticalmente.
No caso de Coari, além do confisco alegado pela prefeita, o avião que faria o abastecimento ontem (18/01) passou direto para Tefé e não teve tempo de retornar. O aeroporto da cidade, que tem um dos maiores PIBs per capita do Amazonas, não funciona à noite.
O oxigênio de Coari estava num pacote governamental de 150 cilindros. O material foi destinado a Tefé, Coari, Fonte Boa e Tapauá, além de Parintins – que fica geograficamente em direção oposta.
O prefeito de Parintins, Bi Garcia, por exemplo, após um tanque do produto ser confiscado, apelou ao governador Wilson Lima e conseguiu permissão para transitar com outra carga semelhante. Ele comprou uma usina de oxigênio, produzida na Alemanha, que estava em São Paulo, para garantir o abastecimento do Município.
Adail Filho, mesmo sem ocupar o cargo, chegou a anunciar, em redes sociais, que Coari receberia uma usina para resolver o problema de oxigênio. A chegada dessa solução, no entanto, não aconteceu antes das sete mortes.
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