
Facção nascida no AM é a terceira maior dentro de presídios federais, com 58 detentos
Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), divulgados em reportagem do “El País”, nos cinco presídios federais, de segurança máxima, estão 58 presos ligados à facção criminosa Família do Norte (FDN), que teve origem no Amazonas e fez ramificações na Região Norte e Nordeste.
No ranking de detentos distribuídos pelas facções, a liderança fica com a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), com 216 apenados em segurança máxima, tendo em segundo o Comando Vermelho (CV), com 136 presos, e em terceiro fica a FDN.
Nesses presídios não há superlotação, ao contrário. A taxa de ocupação estimada é de pouco mais de 70% de 800 vagas. Não há fugas registradas desde a inauguração da primeira unidade, em 2006.
Estas penitenciárias abrigam apenas os detentos considerados mais perigosos, com potencial para desestabilizar as unidades administradas pelos Governos estaduais, ou que continuaram a dar as cartas no mundo do crime mesmo quando já estão atrás das grades.
A reportagem do “El País” cita alguns dos principais nomes que ocupam celas nas unidades, incluindo José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto da Compensa (FDN), além de Fernandinho Beira-Mar (CV), Nem da Rocinha (Amigo dos Amigos), e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (PCC).
Além de um grande número de novas facções concorrentes no mundo do crime, a PCC segue como a maior brasileira, inclusive com presença internacional na América do Sul. O quarto e quinto lugar ficam com Guardiães do Estado (Ceará), com 22 membros, e Nova Okaida (Paraíba), com 14.
O Primeiro Comando da Capital e a Família do Norte foram as facções que nos últimos anos “mais tiveram integrantes enviados para o sistema penitenciário federal, principalmente em resposta à crise nos presídios de Manaus em 2019 e também devido à transferência da cúpula do PCC”, informou o Depen.
O regime de cumprimento de pena nas federais é duro: são 22 horas trancado na cela (sem direito a TV na maioria das unidades) e duas de banho de sol.
O controle de entrada de visitantes e advogados passa por sistemas de raio-x corporal para impedir a entrada de telefones celulares, drogas e armas, comuns nos presídios estaduais.
De acordo com o Depen, estes protocolos rígidos são responsáveis pela ausência de “perturbação na ordem ou rebelião” nas unidades. Além disso “nenhum celular ou equipamento de uso proibido foi encontrado” nestes presídios, ainda segundo informações oficiais.