
Manaus não pode afrouxar medidas contra Covid-19 sob pena de pico explosivo em junho; cidade tem 85 mil infectados. Foto: Reprodução
Mesmo com um distanciamento abaixo do ideal, em torno de 40%, Manaus conseguiu salvar aproximadamente 2.500 vidas em abril durante um pico do Covid-19, segundo pesquisa coordenada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apresentada nesta segunda-feira (18), chamada de “Curva epidemiológica COVID-19 em Manaus”.
O estudo, que reúne uma série de pesquisadores em um grupo, com apoio também de Departamentos de Matemática e Estatística e de universidades de Minas Gerais, foi apresentado pela diretora presidente da Fapeam, Márcia Perales, e pelo professor do Departamento de Matemática da Ufam, Alexander Steinmetz, graduado em Matemática pela Universidade de Oxford no Reino Unido. Ele fez mestrado e doutorado em Matemática na Universidade de Paris-Sud (Orsay). É natural de Colônia, na Alemanha.
O estudo tem como data o dia 11 de maio e apesar de mostrar uma incipiente queda de infecções na capital, chama atenção para o alto número de pessoas infectadas na cidade, em torno de 85 mil. Os infectados podem contaminar até outras 6 pessoas, em média.
“Temos ainda uma situação delicada e explosiva. Um número alto de infectados, capaz de transmitir o vírus, e um baixo número de indivíduos recuperados, entre 10% e 15%, longe da imunidade de rebanho (o ideal é em torno de 85%)”.
Com esses números, caso as medidas adotadas sofram qualquer alteração, Manaus poderá ter um pico da pandemia muito mais grave em junho, até três vezes pior do que o visto em abril.
O professor e o grupo de pesquisa recomendam o fortalecimento do isolamento social, que no Amazonas é baixo, em torno de apenas 40%, e o uso de máscaras em geral. “Devemos fortalecer os cuidados e evitar novas mortes. Com as medidas de distanciamento, mesmo que abaixo do ideal e o uso de máscaras, conseguimos salvar mais vidas”, afirmou Steinmetz.
Para o estudo foram usadas duas metodologias diferentes, com modelo compartimental, uma a partir de casos confirmados, baseados em dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), e outra a partir de óbitos e sepultamentos baseados em dados do Registro Civil e da Prefeitura de Manaus. Foram usados parâmetros de primeiros sintomas, data de internação e tempo de recuperação.
“O uso de máscara reduziu ainda mais os contatos e teve um efeito importante, mas ainda temos um número explosivo de infecções ativas. São 85 mil portadores e capazes de transmitir a doença. Temos uma luz no fim do túnel em relação a redução de contato, mas precisamos ter cuidado para não reverter os dados”, disse o professor.
O grupo de pesquisa reforça a necessidade do isolamento social ser mantido e não se afrouxar medidas para manter a leve queda. Se as taxas forem mantidas, com um isolamento em 40%, por exemplo, no dia 31 de maio a previsão é de ter ainda 60 mil infectados na capital. “O número de infectados representa o perigo de uma situação explosiva. Precisamos nos concentrar na queda, é uma notícia boa, mas os infectados ainda são altos”.
Caso o distanciamento alcance 60% da população, a queda de infecções ativas pode cair para 40 mil pessoas. Mas as quedas só são observadas com mais exatidão num período de duas semanas. Mas se ocorrer o contrário, se o isolamento cair para 20%, se pode ter um novo pico em junho.
O distanciamento social, o fechamento do comércio não essencial, de escolas, igrejas e tudo que provoque aglomeração e o uso de máscaras para a população são pontos eficazes para reduzir a infecção, aliada à melhora na capacidade de atendimento médico na rede hospitalar e de saúde.
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