Assistindo aos vídeos e lendo a respeito da última assembleia geral dos sócios do Caprichoso, convocada para apreciação e aprovação das contas de sua diretoria, cujo mandato está prestes a encerrar, em meio aos lamentáveis episódios que ali ocorreram, veio-me a vontade de escrever algumas palavras, na condição de torcedor, sócio, ex-brincante e, sobretudo, parintinense.
Não é novidade para ninguém que o cargo de presidente de Caprichoso e Garantido, nos últimos anos, tornou-se tão importante quanto ao cargo de prefeito de Parintins.
Não só pelo volume de receitas e despesas que têm a administrar, mas também pelo empoderamento que sobressai, em lidar com grande público, com os governos, com a imprensa, enfim, com o estado e a sociedade em geral.
No entanto, observo que, como acontece nos clubes de futebol, a escolha do presidente pelo voto dos sócios, tem sido sempre induzida por paixões.
Parece quase inevitável não votar naquele que melhor aparenta levar o boi ao título na arena do Bumbódromo, ou contra aquele que fez o boi perder.
Não estaria o sócio eleitor errado se a administração dos bois se resumisse à disputa na arena do Bumbódromo.
A dimensão que Caprichoso e Garantido ganhou nas últimas décadas, tornando Parintins conhecida internacionalmente, atraindo divisas para a economia do município e do Amazonas, exercendo forte atuação nas áreas social e cultural, criando, formando e exportando talentos, obriga o sócio eleitor a mudar o foco de suas preferências na eleição para a diretoria dos bois.
O tamanho da dívida dos bois assusta e, pela lógica, deveria inibir as pessoas sérias em quererem disputar a eleição para a presidência e diretoria.
É verdade que os dois bois têm potencial enorme para criarem e fazerem receitas e, com isso, pagarem suas dívidas e ainda apresentarem um boi bonito na Arena.
Para isso, necessariamente, Caprichoso e Garantido têm de ser administrados por gente que não só entende de gestão, mas também comprometida com os bois e com Parintins.
Vale a pena o desafio para aqueles comprometidos com a causa, que não desejam se locupletar do boi, colocarem seus nomes à apreciação dos sócios eleitores.
Recordo-me que na luta pela conquista de espaço para o boi bumbá de Parintins em Manaus, os membros do Movimento Marujada entenderam a importância da causa e que para alcançarem sucesso tinham de renunciar a qualquer pretensão individual em prol do coletivo. O trabalho voluntário refletia o grau de comprometimento com o Caprichoso e com Parintins.
Se o sócio eleitor quiser continuar brincando de boi bumbá, e ter orgulho de contribuir para a permanência e continuidade dessa brincadeira, precisa escolher e estar do lado certo e afastar aqueles que a querem só pra si.
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