Começa a ganhar corpo a mobilização dos técnico-administrativos da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que estão em greve há 24 dias, para paralisar atividades do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). O Comando Local de Greve (CLG) formou uma comissão interna que vai discutir e avaliar com todos os profissionais da unidade de saúde e do ambulatório Araújo Lima (anexo) os serviços essenciais que não podem deixar de serem prestados à população por representarem risco de morte aos pacientes.
A comissão foi criada na reunião setorial, realizada nesta quarta-feira (03), no auditório da “Santinha”, no HUGV, com o objetivo de discutir com a direção e servidores a proposta de paralisação das atividades na unidade de saúde.
No encontro também foi debatido os preparativos para o Ato Público na Área da Saúde, que será realizado em frente ao Hospital na próxima segunda-feira, a partir das 7h. O ato visa o diálogo com os usuários do ambulatório e do HUGV para explicar os motivos da greve e a paralisação dos serviços considerados não essenciais.
O presidente do Sintesam ((Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas), Carlos Almeida, explicou que o ato é uma ação política, mas a discussão e definição sobre o que vai parar devem partir dos servidores que conhecem a realidade do HUGV, que se encontra em permanente estado de precariedade. Um exemplo citado foi o do Araújo Lima que dispõe de apenas quatro funcionários para o atendimento de cerca de 110 mil pacientes ao mês.
A reunião teve a participação do diretor do HUGV, professor Lourivaldo Rodrigues de Souza, e do presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas, Mário Vianna, servidores, e responsáveis por setores do hospital. O diretor Lourivaldo Souza fez explanações sobre as condições de funcionamento do HUGV, sobre a Lei 12.550/2011, que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e sobre a polêmica ameaça de desativação centro e nefrologia (Hemodiálise) do hospital com o fim do convênio entre a Fundação Rio Solimões (Unisol) – instituição privada de apoio à UFAM – e Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM) em abril deste ano.
Lourivaldo manifestou ser favorável à greve da categoria como instrumento de luta por melhorias na educação e funcionamento dos HUs, mas alertou sobre o caos que a paralisação duradoura do hospital traria à população. Outra preocupação é a falta de produção, o que representaria corte de recursos e custeios para manter o HUGV. “Não posso assumir sozinho responsabilidade por essa decisão, mas o que for deliberado pela categoria terá meu apoio”, assegurou.
Mario Vianna também ponderou que a decisão tem de passar pelo conjunto dos servidores, mas foi enfático em afirmar que a greve é um direito da categoria e que o HUGV ao pode ser considerado o salvador da pátria, em relação aos problemas na área de saúde, que assolam o Estado, decorrentes do descaso de governantes. Mas, deixou alerta sobre a responsabilidade diferenciada que o setor tem com a sociedade.