04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Decapitações, execuções e tiroteios por tráfico são rotina no Bairro da União, sob o domínio do CV

Publicado em 04 de setembro, 2018

Dois casos de assassinados por decapitação e várias execuções se tornaram destaque no Bairro da União nos últimos meses. Fotos: Divulgação

Decapitações, execuções, crimes brutais, tiroteios e troca de tiros com a polícia fazem parte do cotidiano de moradores do Bairro da União ou comunidade da União, vizinha ao Parque Dez e Sangrilá, na zona Centro-Sul.

Nos últimos meses, homicídios e mortes violentas tem dado destaque negativo ao bairro, área de tráfico de droga com domínio da facção criminosa Comando Vermelho (CV). E na guerra por zonas e pela hegemonia da área, o conflito armado e sangrento acontece com a Família do Norte (FDN).

Brutal

Nas últimas 24h, uma adolescente de 16 anos, Brenda Geovanna Vasconcelos dos Santos, foi morta brutalmente e com sinais de tortura, sendo decapitada, amordaçada e enterrada em pé numa área de mata no Bairro da União.

Seu corpo foi localizado após denúncia feita ao 190, estando atrás da faculdade Unip. Segundo moradores, Brenda foi sequestrada a caminho da igreja e assassinada por ser acusada de servir de “olheira” da FDN.

Pelo menos sete homens integrantes do Comando participaram do crime, uma encomenda do traficante Bruno de Souza Carvalho, 31, vulgo Bruno Fiel, que foi preso por policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), neste sábado (1).

Bruno Fiel

Bruno Fiel era quem comandava o tráfico no Bairro da União. Ele estava foragido do Centro de Detenção Provisória Masculino II (CDPM II).

Segundo fontes da polícia, o tráfico de drogas no Parque Dez e Sangrilá são chamados de “periféricos”, e onde o “bicho pega” é no Bairro da União, de onde chegam a ser recrutados traficantes dos adjacentes.

No início do ano, entre janeiro e março, a execução do usuário de drogas Ronniery Nascimento Rodrigues, o “Ronni”, 30, deu início a uma série de incursões da Polícia Civil na comunidade.

Ossada

A ossada de “Ronni” foi encontrada em março, no chamado “Buritizal”, no mesmo bairro, e durante as investigações  do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) se chegou a um organograma de como o tráfico funcionava no local e quem estaria envolvido na morte do desaparecido. A vítima foi degolada e enterrada numa vala.

Inicialmente, foram presos pelo homicídio Fernando dos Santos da Silva, 30; Gean Gomes das Chagas, 22, “Babidi”, e Thiago Nazaré da Silva, 22, o “Chili”.

Tribunal do Crime

Em abril, a Polícia Civil deflagrou a Operação Tribunal do Crime, nos bairros da União e Parque Dez, para cumprir 11 mandados de busca e apreensão, e de prisões.

Marco Aurélio de Moraes Pinheiro Júnior, o “Júnior Peruano”, e Alexsandro Oliveira dos Santos, 29, o “Sandrinho”, foram detidos em cumprimento a mandados de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e organização criminosa de Ronniery.

Mano G

No organograma final da organização criminosa que atua na região, o líder é o narcotraficante Gelson Carnaúba, o Mano G, hoje do Comando Vermelho (CV). Carnaúba está detido no presídio federal de Catanduvas. No organograma estão citados os líderes, mandantes do homicídio, soldados e executores diretos.

A ordem para executar Ronniery partiu do traficante Adriano Rolim da Silva, o “Dri”. Ele responde a seis processos no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sendo três por homicídio e um por tráfico de drogas, e tem ligação com a facção criminosa chamada de 300 Espartanos, que atua na comunidade.

Os traficantes da área chegam a fazer reuniões com os próprios moradores, mostrando força e apresentando quem atua na comunidade.

Tiroteios

Tiroteios ficaram mais comuns no bairro. Em maio, na área vermelha ocorreu uma troca de tiros ouvida por moradores em vários condomínios no Parque Dez. Vídeos circularam nas redes sociais mostrando populares em choque e com medo de uma bala perdida. Em geral, os tiroteios acontecem durante invasões de bocas de fumo por outra facção.

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Ainda em maio, a polícia prendeu no local, já comandando o tráfico, um foragido da Justiça do Rio Grande do Sul, Sued da Cunha Muniz, condenado a 24 anos de prisão por roubo majorado e formação de quadrilha.

Com a prisão do antigo chefe na região, Marco Aurélio de Moraes Pinheiro Júnior, o “Júnior Peruano”, Sued seria o sucessor natural no comando.

Execuções

Elpídio Rego dos Santos, 36, foi executado no local em junho. Segundo testemunhas, pelos menos dez homens, fortemente armados, chegaram em três carros. Os suspeitos usavam coletes balísticos e balaclavas. Sem chance de sobreviver, a vítima foi atingida várias vezes na cabeça, com tiros de calibre .12 e de pistola .40.

No confronto direto com a polícia, em julho investigadores da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc) foram recebidos a tiros no Bairro da União.

Não houve feridos e os tiros partiram de uma picape branca, de placas não identificadas. Em um “salve” do Comando Vermelho a área foi citada como palco de disputa entre facções criminosas.

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Decapitado com prato

Alex de Almeida Silva, o “Cadáver”, 25, e um adolescente de 15 anos, o “Cenoura”, foram presos pela execução bárbara de Edivaldo Costa Soares. O crime ocorreu numa área de mata da comunidade, onde a vítima foi encontrada decapitada, sem a cabeça.

Em um vídeo que circulou do momento da decapitação, os infratores gravam o momento onde usam um prato para cortar a cabeça. No vídeo a dupla aparece fazendo o símbolo da facção criminosa Comando Vermelho, com as mãos sujas de sangue.

Ainda em setembro, Victor dos Santos Evangelista, 25, foi executado a tiros no mesmo bairro. Conforme testemunhas, ele teria saído de casa para comprar leite para o filho de 2 meses, sendo atingido pelo menos 15 vezes.

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