05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Gestão pública e redes sociais

Publicado em 14 de março, 2012

“O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir.”

Mário de Andrade.

 

Há uma nova revolução social em curso no mundo. Desta vez não são os meios de produção, a economia, as finanças ou as guerras supranacionais que influenciam essa nova ruptura, mas a própria sociedade como agente modificador e ao mesmo tempo, depositário final das consequências. Boas ou ruins elas são inevitáveis.

No livro “As consequências da modernidade”, Guiddens relata que estaríamos caminhando para além da própria modernidade, assistindo à emergência de um novo sistema social. “…nos deslocando de um sistema baseado na manufatura de bens materiais para outro relacionado mais centralmente com informação.”

Essa nova ordem de coisas atinge a todos: indivíduos, famílias, empresas, governos, países e é fruto das novas relações sociais surgidas a partir da interatividade de pessoas, grupos e sociedades proporcionada, em primeiro plano pela internet e mais recentemente, pelas redes sociais em massa, espalhadas pelo universo virtual.

A planificação do mundo – nas palavras de Friedman – exigirá nova postura de entidades e gestores. Novas maneiras de realizar objetivos e prestar contas à sociedade. Ser transparente não pode mais ser encarado como uma opção politicamente correta, mas uma obrigação inescapável.

Governos e empresas ainda se comportam e definem suas estruturas de poder e decisão de forma burocrática, baseados em modelo industrial que não combina com as possibilidades de colaboração em rede à disposição da sociedade. A Wikipédia, o Google e o Facebook são ícones dessa nova ordem, ferramentas que subverteram a lógica do trabalho na linha de produção.

Gestores públicos modernos precisam deixar pra trás o mito do especialista que sabe tudo o que a sociedade quer e precisa. Planificar e democratizar decisões, abrir canais de comunicação direta com o cidadão por meio de redes sociais e incluí-lo como agente de intervenções são mudanças necessárias.

Qualquer cidadão portando um celular pode identificar um buraco em sua rua, fotografar, plotar a coordenada e enviar para uma base de dados pública em plataforma de GoogleEarth. A partir daí o gestor pode planejar intervenções específicas. Isso geraria economia de tempo e recursos financeiros. O cidadão regulador ou prossumidor já existe, o que falta ao poder público é descobri-lo.

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Autor
Junior Brasil

* Júnior Brasil é Perito em Contabilidade e Finanças, especialista em administração Pública e Mes...

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