“A sorte favorece a mente preparada”.
Louis Pasteur
Há notícias que, embora temporãs, guardam mérito pelas lições que transmitem e pelas verdades que revelam. Vale a apena revisitá-las. Foi com extrema esperança e motivado pelo interesse no desenvolvimento do potencial ambiental e biotecnológico do Amazonas que reli o seguinte trecho de notícia:
“O governo federal americano permitiu que uma empresa de biotecnologia californiana licenciasse três remédios cubanos experimentais contra o câncer – abrindo uma exceção à severa política de restrição das relações comerciais com aquele país. […] Mais de 1 bilhão de dólares foram gastos ao longo dos anos na construção e operação,na zona oeste de Havana, de institutos de pesquisa repletos de cientistas cubanos, muitos deles formados na Europa”.
O dado acima, noticiado no The New York Times (15 de julho de 2004) e reproduzido pelo autor americano Thomas Friedman, demonstra que a convergência de potencial econômico, interesse comercial, qualificação científica e estrutura adequada podem superar até mesmo conturbadas relações políticas e ideológicas, em nome do avanço tecnológico e social da humanidade.
É um bom exemplo a ser seguido. Nós, amazonenses, não podemos admitir a hipótese de contemplação inerte da floresta amazônica. Desenvolvimento e sustentabilidade são antíteses à espera de gestão, equilíbrio e convergência para o bem e o progresso econômico e social não só dos cidadãos do interior, mas também de todo o planeta.
Cuba, a ilha dos irmãos Castro, a despeito dos embargos políticos, financeiros e comerciais impostos a mais de cinquenta anos pelos EUA, consegue desenvolver e transformar seu potencial biotecnológico em investimentos bilionários e produtos que despertam interesse comercial.
Explorar, pesquisar, desenvolver produtos e tirar proveito da biodiversidade da Amazônia, de maneira consciente, deixará de ser uma opção confortável para ser uma obrigação urgente. Devemos estar preparados para essa realidade.
Recentemente ficamos atônitos quando uma empresa estrangeira anunciou que deixaria de investir cerca de dez bilhões de reais em plantas industriais na Zona Franca de Manaus para instalar-se em outro Estado. De quantos bilhões não estaríamos abrindo mão ao deixar de considerar nossas riquezas naturais como prioridade estratégica de desenvolvimento?
* Júnior Brasil é Perito em Contabilidade e Finanças, especialista em administração Pública e Mes...