O governo brasileiro pretende integrar, nos próximos anos, o monitoramento via satélite da floresta amazônica nos oito países membros da região que fazem parte da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA). A proposta foi apresentada, nesta terça-feira (22), em Manaus, durante o encontro entre ministros e chanceleres dos países membros da organização.
O vice-governador do Amazonas, José Melo, e o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, receberam autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela para discutir uma agenda de fortalecimento da cooperação internacional entre os países, principalmente nas áreas comercial, científica e ambiental.
“Os países amazônicos têm problemas comuns e é importante agir em bloco, como tem ocorrido no mundo inteiro. O contexto ambiental prevalece, mas a cooperação vai em diversas direções, principalmente a econômica”, ressaltou José Melo.
Conforme a proposta do governo brasileiro, a coordenação geral do projeto piloto do observatório de monitoramento florestal ficará sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão que realiza atividades de monitoramento florestal no Brasil, em parceria com instituições dos países vizinhos. A proposta é que o projeto tenha recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo Patriota, uma das metas da rede de monitoramento é criar uma cooperação na área científica envolvendo as instituições de pesquisa e universidades dos países membros da OTCA. “Queremos estreitar os laços e o diálogo para o desenvolvimento científico e tecnológico. O observatório é um projeto que visa criar redes de comunicação entre os institutos de pesquisa e as universidades de vários países. Os desafios são enormes”, disse o ministro.
No campo da cooperação comercial, o vice-governador José Melo adiantou que o Governo do Amazonas está negociando com o Suriname a criação de uma linha direta regular de voos. Além do turismo, a proposta atende a um interesse do país de ampliar a pauta de importação de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus. Para o Suriname, o Amazonas exporta atualmente produtos como aparelhos de barbear, isqueiros e canetas. Não há registros de importação de produtos do Suriname pelo Amazonas.
“As tratativas para que companhias aéreas brasileiras façam a linha comercial regular para o Suriname estão bastante adiantadas. Com isso, a gente vai poder estreitar os laços comerciais com o País, no sentido deles demandarem o que produzimos aqui, sobretudo os produtos da Zona Franca de Manaus, e nós conhecermos os produtos que eles podem nos vender”, destacou Melo.
Na quarta-feira (23) e quinta-feira (24), o grupo de autoridades da OTCA participa do seminário “Desafios e oportunidades da cooperação amazônica”, organizado pelo governo brasileiro. O objetivo é recolocar a OTCA na agenda política regional, em sua nova etapa de consolidação institucional. A meta é identificar eixos de ação para a organização, que se apresenta como fórum prioritário para a promoção do desenvolvimento transfronteiriço amazônico e para a cooperação em projetos de desenvolvimento sustentável na região, além das discussões para a uma pauta a ser apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
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