Os atletas de tênis de mesa Elem Alves Silva, 34, e James Cardoso Soares, 38, integrantes do Programa Acesso à Cidadania da Prefeitura de Manaus, participaram do 42º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, no final do mês de outubro, e trouxeram medalhas de prata e bronze, respectivamente, que coroam o trabalho deles na prática desse esporte. Para eles, o programa tem sido fundamental por permitir a dedicação ao tênis, como explica Elem, uma colecionadora de medalhas e troféus. “Temos como ficar treinando pela manhã e à tarde por conta da bolsa”, explica ela, que treina na Vila Olímpica de Manaus e ganhou medalha de bronze no campeonato em Fortaleza.
O principal objetivo do Programa Acesso à Cidadania, coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), é oportunizar a qualificação de pessoas com deficiência para inserção em cursos de qualificação profissional e na prática esportiva, com uma bolsa no valor de um salário mínimo, informa o secretário Sildomar Abtibol.
Atualmente, 200 pessoas com deficiência participam do programa custeado pelo município.
Elem, que tem um encurtamento do membro anterior da perna resultado de um erro médico, pratica tênis de mesa desde 1994 quando conheceu James e Goutier na Associação dos Deficientes Físicos do Estado do Amazonas (Adefa).
Ela já foi duas vezes campeã brasileira em 2007 e 2008 e carrega ainda as medalhas obtidas em 2004 quando participou do campeonato brasileiro da modalidade e ganhou medalha de prata. Nesse mesmo ano foi primeiro lugar do Campeonato Norte e Nordeste. Para ela, o incentivo precisa melhorar, principalmente para garantir a participação nos eventos esportivos fora do Estado, com a presença do técnico William Paixão. Na Vila Olímpica, ela treina em dois períodos do dia e assegura ter potencial para melhores resultados nos campeonatos. “Nós nos preparamos, nos dedicamos a isso”, justifica ela, que está no Acesso à Cidadania há 11 anos .
James Soares é outro medalhista de bronze do 42º Campeonato de Tênis de Mesa em Fortaleza. Cadeirante por ter tido meningite quando criança, ele mora no bairro Grande Vitória, Zona Norte, e vai de ônibus treinar na Vila Olímpica.
Ali, fica pelo menos três horas por dia, quando sai para treinar crianças e adolescentes na Escola Municipal Adalberto Mais, no mesmo bairro onde mora.
Casado, pai de três filhas, Jennifer, 11, Jhessiane, 8, e Jéssica, 4, suas maiores fãs, ele é um exemplo a ser seguido pelo trabalho incansável no esporte. O atleta do Programa Acesso à Cidadania, no qual está 11 anos, elogia a iniciativa do município pela importância do recurso para a vida de atletas como ele, que já ganhou troféu como o segundo melhor mesa-tenista do País, em 2006 e detém mais de 40 medalhas e
25 troféus. “Temos potencial que precisa ser melhor observado pelos patrocinadores, porque com mais apoio, teremos mais medalhas e melhores resultados”, finalizou.
Sildomar Abtibol explica que com o Programa Acesso à Cidadania, a Prefeitura busca parcerias com instituições e Organizações Não-Governamentais (Ongs), a fim de inseri-las no mercado de trabalho.
Para isso, oferece bolsas auxílio, no valor de um salário mínimo mensal para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, assim como contribui para a sensibilização quanto à questão da acessibilidade da pessoa com deficiência na sociedade.
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