
Julgamento dos irmãos Paulo Cesar e Carlos, acusados da morte do pai, Adarcino Marques, em 1995, terminou com a condenação dos mesmos, pela segunda vez. Para promotor de acusação eles deveriam ter saído do fórum direto para a prisão. Foto: Igor Braga/ TJAM
Os irmãos e réus Paulo Cesar Marques da Silva e Carlos César Marques da Silva, acusados da morte do próprio pai, o comerciante Adarcino Marques da Silva, foram condenados pelo Tribunal do Júri da 2ª Vara a 17 anos de prisão, cada um, nesta quarta-feira (25).
Este é o segundo julgamento pelo Tribunal do Júri, do mesmo caso, do crime que aconteceu há 22 anos, em 1995. A condenação de hoje é por homicídio duplamente qualificado e por motivo torpe, sem que a vítima tivesse possibilidade de defesa.
O julgamento foi presidido pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri Anésio Pinheiro e na acusação estava o promotor de justiça Ednaldo Medeiros. A defesa dos réus foi feita pelo advogado Luís Eduardo Valois.
Segundo a denúncia, pai e filhos brigavam muito porque a vítima queria que eles trabalhassem e os mesmos seriam ociosos, vivendo às custas exclusivamente da família. Os réus respondem em liberdade ao crime.
No dia do crime, a vítima foi amarrada, amordaçada e esfaqueada dentro do quarto onde dormia, na rua Alagoa, no Parque das Laranjeiras.
Em entrevista ao Portal Marcos Santos, o promotor Ednaldo Medeiros adiantou que vai entrar com recurso nesta quinta-feira (26), junto ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), para que os irmãos comecem a cumprir imediatamente, em razão desta ser a segunda condenação e de não haver mais como recorrer em razão das provas apresentadas.
“Eles planejaram, executaram e mataram o pai para poder se locupletar dos recursos que ele tinha, como veículos, casa, imóveis. Esse caso foi julgado em 2015, onde foram condenados, e a defesa apelou. Na época, foi entendido que deveria haver um novo julgamento, que confirmou a condenação”, falou o promotor.
Para Ednaldo, a defesa recorreu em relação à dosimetria da pena apenas como recurso protelatório para que os réus não sejam presos. “Passaram 22 anos do crime e até hoje eles não cumpriram um dia da pena. É um escárnio eles recorrerem em liberdade, um desrespeito ao Tribunal do Júri”, disse.
O promotor alega que este tipo de situação causa indignação e sensação de insegurança e impunidade. “Vamos apelar junto ao TJAM, inclusive porque há precedente no STF (Supremo Tribunal Federal), de como o Tribunal do Júri é colegiado, que a condenação passe a ser cumprida imediatamente”.
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