Os recentes conflitos de terras envolvendo centenas de famílias de um lado e o poder público municipal de outro, em área de preservação ambiental no polígono do Tarumã, Zona Oeste de Manaus, podem ser vistos de duas maneiras. Primeiro, nos mostra que os projetos Minha Casa Minha Vida, Prosamim e Projeto Cidadão, do governo Federal e Estadual, respectivamente, teriam que ampliar as suas demandas. Segundo, deveríamos ter previsto que o crescimento da oferta da mão de obra no Distrito Industrial exigiria maior investimento no setor habitacional de casas populares e, arriscando uma terceira opinião, a bomba relógio da habitação em Manaus, que curiosamente tende a explodir a cada dois anos, geralmente vem acompanhada de conhecidos promotores e executores.
Nós da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM) já colocamos na pauta de discussão propostas de moradias populares capazes de atender parcela significativa dos aproximadamente 120 mil trabalhadores do maior parque industrial do Norte, a custos inferiores ao praticado no mercado, mas nos deparamos com a falta de políticas públicas capazes de promover o desenvolvimento do setor. Tanto a prefeitura como o governo não têm uma política de cadastramento eficiente o suficiente para saber quantos são e como vivem a população carente de residências em Manaus.
No plano diretor da cidade de Manaus, largamente divulgado na imprensa, por exemplo, o destaque vai para a cobrança de IPTU e a ampliação de avenidas para maior fluidez no caótico trânsito da cidade, mas não promove ações que evitem que a cidade fique a mercê dos invasores e nem que tenha um crescimento desordenado. Contrastando com tudo isso, a CUT anuncia que vai entregar os primeiros 390 apartamentos populares, a baixo custo, no bairro de Santa Etelvina, como parte do projeto habitacional de sua autoria. Em 2012 entregará mais 1,2 mil deles com preços compatíveis com os dos aluguéis.
É inadmissível que se construa apartamentos sem que 90% da população possa pagar. Para fugir dessa rotina, a CUT formatou a proposta de substituir o sacrificado dinheiro do aluguel pelo pagamento do apartamento próprio em áreas saneadas, projetadas e devidamente planejadas.
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* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.