23/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Indígenas esclarecem mal-entendido e Seind pede agenda no Ministério de Minas e Energia

Publicado em 13 de outubro, 2011

As discussões sobre extrativismo mineral em terras indígenas do Amazonas vão continuar, em especial no Alto Rio Negro, apesar de ainda não haver uma legislação específica sobre o assunto no País. A decisão foi tomada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e instituições envolvidas, durante reunião realizada no município de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus). As discussões serviram para esclarecer o mal-entendido criado após a assinatura de um “Memorando de Entendimento” com a mineradora canadense Cosigo Resources Ltda, no final de agosto, em Manaus.

Estabelecidos os fatos, todos foram unânimes em continuar o debate sobre mineração. Um dos encaminhamentos é fazer com que algumas lideranças e um membro da diretoria da Foirn viagem até o Canadá para conhecer a experiência que a empresa tem com indígenas daquele país da América do Norte.

Nesse sentido, na última terça-feira, dia 11, o titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), Bonifácio José, esteve pessoalmente em Brasília, onde pôde tratar do assunto com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Claudio Scliar. “Eu me reuni com o senhor Claudio e ele me garantiu que irá articular uma agenda para levar essas lideranças até o Canadá”, afirma o secretário, que esteve em terras canadenses em junho deste ano, e na Colômbia no mês de maio, para troca de experiências.

Consulta às bases

O projeto piloto de extrativismo mineral no Alto Rio Negro pretende abranger as terras indígenas daquela região e de Apaporis, no rio Japurá. O memorando assinado em reunião de atividades na Seind, no dia 29 de agosto, foi um compromisso para a criação de uma agenda e construção de projeto entre as principais regiões interessadas em trabalhar em mineração, e não um protocolo de intenções (que estabeleça acordo ou convênio para que se faça inventário) com a Cosigo, como chegou a ser divulgado por alguns veículos de comunicação e organizações indígenas.

O esclarecimento já havia sido feito pela liderança indígena da comunidade de Pari Cachoeira, Pedro Machado Tukano – em reportagem publicada pelo site acrítica.com – e foi confirmada junto à diretoria da Foirn.

Na Ata da reunião em São Gabriel da Cachoeira, o presidente da Foirn, Abraão França, defende que esse tipo de discussão deve ser feito em sintonia com a entidade, que representa 23 povos indígenas do rio Negro. De acordo com ele, a Foirn deve estar envolvida para resolver ou acompanhar qualquer atividade a ser realizada com as comunidades.

Poder de decisão

Além de possibilitar a ida de lideranças ao Canadá, a Foirn pretende fazer uma grande reunião para informar como essa empresa está trabalhando. Assinaram a Ata da reunião pela Foirn: Abrahão França (presidente), Maximiliano Menezes (diretor), Erivaldo Cruz (diretor) e Irineu Rodrigues (diretor).

Projeto Lapidart

Um prova de que todo o processo de discussão sobre extrativismo em terras indígenas tenta valorizar a cultura e gerar renda para os indígenas é o projeto Lapidart que, segundo Bonifácio José, continua fortalecido. É resultado de um debate de dez anos promovido pela Confederação das Organizações Indígenas do Amazonas (Coiam) e que o Governo do Amazonas assumiu oficialmente em 2009, por meio da parceria entre a Seind e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect).

O objetivo do Lapidart é trabalhar jóias e pedras semipreciosas a partir do grafismo indígena.

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