18/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

É preciso refletir

Publicado em 18 de setembro, 2026

Por Felix Valois

Segundo as pesquisas, muitos milhões de brasileiros vão votar em Flávio Bolsonaro. É um fenômeno de teratologia política. Nada de racional pode explicar essa preferência por um homem que nunca disse ao que veio. O que pretende, sim, ele disse: transformar o Brasil num reles quintal dos Estados Unidos. Esse serviço, aliás, teve começo durante o mandato presidencial do pai do candidato que, entre outras coisas, bateu continência para a bandeira norte-americana.

Parece que tais pessoas ainda não conseguiram entender que, nas próximas eleições, a questão não está centrada apenas na escolha entre candidatos. Vai muito além: Trata-se de decidir sobre os próprios caminhos do país, posto na encruzilhada entre sua soberania e a mais abjeta subserviência. Mais do que isso: queremos seguir buscando implantar medidas que favoreçam a população como um todo, ou preferimos privilegiar uma elite financeira que não conhece limites na sua sede de lucros?

Vê-se que os bolsonaristas centram seu discurso num argumento apenas retórico: Lula é ladrão. Até hoje não foi exibida uma prova sequer de que o atual presidente se tenha apropriado de dinheiro público ou particular. Pessoalmente, acredito que não o fez e que a acusação se deve a puro radicalismo. Este, como é da sua essência, não explica seus motivos, pela singela razão de que não existem. É assim e pronto!

Mas, vamos lá. Quaisquer que sejam os graus de aversão e repulsa a Lula não têm eles o condão de justificar uma desastrosa opção eleitoral. Que de outra coisa não se trataria, senão de clamoroso desastre, entregar a governança do país a quem carrega um passado de atrocidades e acena para o futuro com gritante leviandade. É só dar uma rápida vista d´olhos na história recente.

Como se comportou Jair nos quatro anos em que ocupou o Palácio do Planalto? A sede do governo se transformou em um ninho de conspiradores e incompetentes, bastando recordar aquela emblemática reunião de abril, quando se falou de “passar a boiada” e, por incrível que pareça, de quebra da normalidade institucional. Era o escancaramento de uma desfaçatez impressionante, a se refletir na vida mesma da nação. O então presidente, ele próprio, não demonstrava nenhum respeito nem pela liturgia do cargo e tomava atitudes que seriam de comediante se não fossem patéticas.

O Brasil estava em comoção. Centenas de milhares de compatriotas morriam qual moscas sob o crudelíssimo impacto da pandemia. No palácio, Jair proclamava não ser coveiro e, num deboche revoltante, se punha a imitar pessoas com falta de ar. Recomendava, contra todas as vozes da ciência, o uso de cloroquina e toda a gente se lembra do que ele disse da vacina: seria capaz de transformar seres humanos em jacarés. Nesta minha querida e eterna cidade de Manaus, então, o quadro foi dantesco, já que milhares de brasileiros aqui morreram pela falta de oxigênio.

E é ao herdeiro e sucessor dessa figura que querem entregar a presidência do meu país? “É miséria demais”, bradaria Castro Alves. Impensável que se imagine cometer tamanho desatino!

Que tenham raiva do Lula, que dele não gostem e até que o abominem. Está na linha normal de comportamento humano. Daí, porém, a não entender que, neste exato momento da política nacional, ele é a única esperança de evitar o caos, vai uma abissal diferença. Não estamos num concurso de simpatia, mas, sim, em um embate entre quem consegue racionar e quem acredita que a Terra é plana. Entre quem acredita na ciência e quem invoca Ets pelo celular. Entre quem respeita a Pátria e quem entoa o hino nacional para pneus. Entre quem respeita as instituições e quem defende golpe de estado.

Não é hora de vacilar. O negacionismo, o golpismo e a estupidez não devem jamais voltar a fazer parte da vida brasileira. Nisso acredito e assim votarei.

P.S. – Peço aos bolsominions que guardem seus insultos. Quem discordar de mim, use seu próprio espaço para expor pontos de vista. Apenas fiz uso da liberdade de expressão, coisa que era impossível na ditadura.

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Autor
Felix Valois

* Félix Valois é advogado, professor universitário e integrou a comissão de juristas instituída p...

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