03/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Senado aprova política de minerais críticos com relatoria de Eduardo Braga

Publicado em 03 de setembro, 2026

Senado aprova política de minerais críticos com relatoria de Eduardo Braga

Projeto cria fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e incentivos fiscais para beneficiamento de minerais no Brasil; texto segue para sanção presidencial (Foto: Divulgação)

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (2/9) o projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A proposta teve como relator o senador Eduardo Braga (MDB-AM) e segue agora para sanção presidencial.

O projeto estabelece regras e instrumentos para estimular a pesquisa, o beneficiamento, o processamento e a transformação de minerais considerados estratégicos. A intenção é ampliar a parcela da produção processada no Brasil e reduzir a exportação desses recursos apenas como matéria-prima.

Entre os instrumentos previstos está o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com participação da União de até R$ 2 bilhões. O mecanismo busca reduzir riscos e facilitar investimentos privados no setor.

A proposta também cria o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE). O programa prevê créditos fiscais de até 20% sobre custos industriais, limitados a R$ 1 bilhão por ano, entre 2030 e 2034.

Investimento em ciência e tecnologia

Outro ponto do projeto determina que empresas do setor mineral destinem 0,5% da receita bruta a investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Eduardo Braga defendeu a medida como necessária para que o Brasil avance da extração mineral para etapas industriais de maior valor agregado.

“Jamais transformaremos nossos minerais raros em um bem final, se não desenvolvermos ciência e tecnologia para essas áreas”, afirmou o senador.

Durante a discussão no plenário, Braga citou a cadeia do minério de ferro para exemplificar a perda de valor decorrente da exportação de matérias-primas e posterior importação de produtos industrializados.

“Nós exportamos minério de ferro e importamos aço de outros países. Muitas vezes multiplicado por 10, 15, 20, 30 vezes o valor agregado ao minério de ferro. O projeto visa resolver o mecanismo para transformar este minério em produto final dentro do país”, disse.

Soberania sobre minerais estratégicos

O relator também defendeu a manutenção do controle estratégico do Estado sobre esses recursos. Segundo Braga, por serem finitos e terem importância crescente para diferentes setores industriais e tecnológicos, os minerais críticos exigem planejamento de longo prazo.

“O que nós não estaremos mais abrindo mão é da soberania nacional e da discussão de uma estratégia nacional para agregar valor econômico a um minério que não tem reposição”, declarou.

O texto aprovado pelo Senado não sofreu alterações de conteúdo em relação à versão encaminhada pela Câmara dos Deputados. Com isso, o projeto segue diretamente para análise e eventual sanção do presidente da República.

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