28/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amazonense fecha com fim da escala 6×1, aponta pesquisa Ipen/G6

Publicado em 30 de maio, 2026

Amazonense fim escala

Amazonense mostra que está fertemente a favor do fim da escala 6X1. Foto: Tomáz Silva/ Agência Brasil

O amazonense fechou com o fim da escala 6×1, com redução. A nova rodada da pesquisa Ipen/G6, divulgada neste sábado, mostra que 70,7% dos entrevistados são a favor da mudança na jornada de trabalho. Outros 19,7% se declararam contra e 9,6% não souberam ou não responderam.

O resultado confirma, no Amazonas, uma tendência observada no debate nacional: a escala de seis dias de trabalho por um de descanso perdeu sustentação na opinião pública e passou a ser tratada como tema central na relação entre trabalho, qualidade de vida e tempo livre.

O dado ajuda a explicar por que a bancada amazonense votou em peso a favor da proposta na Câmara dos Deputados. Os oito deputados federais do Amazonas apoiaram o texto nos dois turnos de votação.

A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara em primeiro turno por 472 votos a 22. No segundo turno, o placar foi de 461 votos favoráveis e 19 contrários. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, prevê dois dias de descanso remunerado e mantém os salários. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

A bancada amazonense votou unida a favor da proposta, incluindo Amom Mandel, Adail Filho, Átila Lins, Capitão Alberto Neto, Fausto Jr., João Carlos (suplente de Silas Câmara), Saullo Vianna e Sidney Leite.

A pesquisa Ipen/G6 foi realizada entre os dias 17 e 22 de maio, com 1.200 entrevistas presenciais em 11 municípios do Amazonas: Manaus, Parintins, Itacoatiara, Manacapuru, Coari, Maués, Presidente Figueiredo, Iranduba, Careiro, Tefé e Rio Preto da Eva. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento tem registros no TSE AM-07612/2026 e BR-06835/2026.

O G6 é formado pelo Portal do Marcos Santos, Portal Único, BNC Amazonas, Blog do Hiel Levy, Portal do Mário Adolfo e Amazonas Atual. O consórcio, em parceria com o Instituto de Pesquisa do Norte, fará levantamentos regulares até a eleição de 5 de outubro.

Pressão popular

A aprovação de 70,7% ao fim da escala 6×1 mostra que a pauta avançou para além do movimento sindical e chegou ao eleitor comum.

A mudança fala diretamente com trabalhadores do comércio, serviços, supermercados, bares, restaurantes, segurança privada, limpeza, call centers e outras áreas em que a rotina de seis dias consecutivos de trabalho é comum.

O debate também atinge as famílias. O tempo livre passou a ser visto como parte da dignidade do trabalhador, não apenas como concessão patronal. A pesquisa indica que, no Amazonas, esse sentimento já se transformou em maioria ampla.

Na prática, a votação da bancada amazonense acompanhou a percepção majoritária do eleitorado local.

Rodada começou com Lula à frente

A pesquisa Ipen/G6 começou a ser publicada na terça-feira (26/05), com os cenários para presidente e governador.

Na disputa presidencial, Lula apareceu à frente de Flávio Bolsonaro no Amazonas. O presidente registrou 41,8% das intenções de voto, contra 32,3% do senador. A vantagem foi de 9,5 pontos percentuais.

Ciro Gomes apareceu em terceiro, com 4,4%. Renan Santos teve 1,3%. Cabo Daciolo marcou 1,2%. Ronaldo Caiado registrou 1%. Romeu Zema e Augusto Cury ficaram com 0,7% cada. Aldo Rebelo apareceu com 0,2%. Brancos e nulos somaram 8,8%, e não souberam ou não responderam foram 7,7%.

O resultado foi divulgado no mesmo dia em que Lula cumpriu agenda em Manaus e ocorreu em meio à repercussão nacional dos áudios ligando Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master.

Não é possível medir isoladamente o peso desse episódio no resultado, mas a coincidência temporal marcou o ambiente político da pesquisa.

Omar lidera Governo

No cenário para o Governo do Amazonas, Omar Aziz apareceu na liderança com folga.

Com Roberto Cidade incluído na lista, Omar marcou 29,8%. David Almeida manteve o segundo lugar, com 16%. Maria do Carmo apareceu com 15,6%. Roberto Cidade, recém-chegado ao Governo do Estado, registrou 14,9%.

A entrada de Cidade embolou a disputa pelo segundo lugar. Apenas 1,1 ponto percentual separa David Almeida, segundo colocado, de Roberto Cidade, quarto. Maria do Carmo fica no meio desse bloco, com diferença mínima em relação aos dois.

Sem Roberto Cidade no cenário, Omar sobe para 34,6%. David Almeida vai a 19,3%, e Maria do Carmo aparece com 17,1%.

O levantamento mostrou, portanto, dois movimentos simultâneos: Omar larga na frente com vantagem confortável, enquanto David Almeida mantém a vice-liderança, mas passa a ser pressionado por Maria do Carmo e Roberto Cidade.

Braga lidera Senado

Na disputa pelo Senado, Eduardo Braga lidera com folga.

O senador aparece com 37,4% das intenções de voto na primeira opção e 13% na segunda opção. Na média geral, considerando os dois votos do eleitor para o Senado, Braga soma 25,2%.

A briga pela segunda vaga aparece mais aberta. Capitão Alberto Neto registra 17,8% no primeiro voto e 12,1% no segundo, alcançando média geral de 15%.

Wilson Lima vem em seguida, com 12,6% no primeiro voto e 11,7% no segundo. Na média, o ex-governador chega a 12,1%.

Plínio Valério aparece com 7,7% na média geral, seguido por Marcos Rotta, com 7,2%, e Marcelo Ramos, com 6,6%.

A pesquisa mostra Braga em posição mais consolidada e uma disputa em andamento entre Alberto Neto e Wilson Lima pela segunda vaga do Amazonas no Senado.

Amom passa Salazar

Na corrida para deputado federal, a maior surpresa da rodada foi a posição de Amom Mandel.

Pela primeira vez na pesquisa Ipen/G6, Amom apareceu numericamente à frente do vereador Sargento Salazar no cenário estimulado. O deputado federal marcou 16%, contra 15% de Salazar.

A diferença de um ponto está dentro da margem de erro, mas tem forte valor político por inverter a expectativa de liderança nesse campo.

Na sequência aparecem Alfredo Nascimento, com 8,8%; Zé Ricardo, com 5,8%; Adail Filho, com 5,2%; Saullo Vianna, com 4,8%; Silas Câmara, com 4,3%; Arthur Neto, com 3,8%; Átila Lins, com 3,3%; e Sidney Leite, com 2,9%.

A pesquisa também mostrou que, na espontânea, Salazar ainda aparece à frente de Amom, indicando maior lembrança direta do eleitor. Na estimulada, porém, Amom cresce quando os nomes são apresentados.

Interior pesa para estadual

Na disputa para deputado estadual, o destaque ficou para parlamentares e lideranças com bases eleitorais fortes no interior.

A pesquisa espontânea mostrou Cristiano D’Angelo à frente, com 13 citações. Carlinhos Bessa, Mayra Dias e Sargento Salazar apareceram em seguida, com 11 citações cada. Thiago Abrahim somou 8. Luana Ferraz e Emanuel Pinheiro tiveram 7 citações cada. João Luiz registrou 6.

O resultado reforça uma característica tradicional da eleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas: reduto municipal ainda pesa muito.

Deputados com presença constante no interior, relação com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e serviços prestados aparecem em posição mais competitiva.

Prefeitos: Tefé lidera avaliação

A rodada Ipen/G6 também mediu a avaliação de prefeitos.

O melhor desempenho foi do prefeito de Tefé, Nicson Marreira Lima. Ele soma 86,2% de ótimo e bom, sendo 51,7% de ótimo e 34,5% de bom. O índice de péssimo é zero.

Em segundo lugar aparece Mateus Assayag, de Parintins, com 72,6% de ótimo e bom. Ele tem 39,3% de ótimo e 33,3% de bom. Mate4us zerou o ruim e o péssimo é de apenas 1,2%. O prefeito está no primeiro mandato, com menos de um ano e meio de gestão, tendo excelente desempenho.

Mário Abrahim, de Itacoatiara, aparece muito próximo, com 71,3% de ótimo e bom. São 41,4% de ótimo e 29,9% de bom. O péssimo, porém, chega a 5,7%.

Os números de Tefé e Parintins impressionam. Nicson está no segundo mandato. Mateus Assayag ainda mal completou o primeiro ano de gestão e já aparece com aprovação elevada em um dos maiores colégios eleitorais do interior.

Iranduba tem pior avaliação

Na outra ponta, o prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz, tem o pior desempenho entre os municípios pesquisados.

Ele soma apenas 23% de ótimo e bom, enquanto o péssimo chega a 51,9%.

O resultado reflete forte desgaste político e administrativo. Iranduba aparece como o caso mais crítico da rodada, com maioria negativa e baixa percepção positiva da gestão.

Em Manaus, Renato Jr., que assumiu há pouco mais de um mês, registra 23,1% de ótimo e bom. O péssimo está em 27,7%.

A diferença é relevante. Renato Jr. ainda está no início da gestão e carrega heranças administrativas recentes. Augusto Ferraz, em Iranduba, já está no segundo mandato.

Pesquisa como recado

A rodada Ipen/G6 não encerra disputas. Pesquisa é fotografia de momento. Mas fotografias bem feitas revelam tendências e mandam recados.

A pesquisa mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro no Amazonas.

Mostrou Omar Aziz liderando a corrida para o Governo do Estado.

Mostrou David Almeida ainda em segundo, mas pressionado por Maria do Carmo e Roberto Cidade.

Mostrou Eduardo Braga em posição confortável para o Senado.

Mostrou Alberto Neto e Wilson Lima disputando a segunda vaga.

Mostrou Amom Mandel passando Sargento Salazar na estimulada para deputado federal.

Mostrou a força de deputados e lideranças do interior para a Assembleia Legislativa.

Mostrou prefeitos muito bem avaliados, como Nicson Marreira, Mateus Assayag e Mário Abrahim.

E mostrou também quem precisa reagir.

Agora, o dado novo é a escala 6×1. O amazonense deixou claro que quer redução da jornada e mais tempo de vida fora do trabalho.

A bancada federal do Amazonas ouviu o sinal e votou unida na Câmara.

A decisão, agora, está nas mãos do Senado.

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