18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ipen/G6 mostra prefeito que trabalha e quais precisam acordar

Publicado em 29 de maio, 2026
Ipen G6 mostra prefeitos

Ipen G6 mostra Mateus Assayag, com menos de um ano e meio de gestão, como destaque entre os prefeitos do interior. O prefeito de Tefé está à frente em popularidade, mas chegou ao segundo mandato

O consórcio G6 e o Instituto de Pesquisa do Norte, o Ipen, abriram a temporada eleitoral de 2026 no Amazonas com a primeira rodada de levantamentos que deverão ser realizados regularmente até a eleição de 5 de outubro. O G6 é formado pelo Portal do Marcos Santos, Portal Único, BNC Amazonas, Blog do Hiel Levy, Portal do Mário Adolfo e Amazonas Atual.

A rodada começou a ser publicada na terça-feira (26/05) e já produziu efeitos políticos relevantes. Houve surpresa na corrida presidencial, rearranjo no Governo do Amazonas, consolidação de liderança no Senado, mudança simbólica na disputa para deputado federal, sinais importantes para a Assembleia Legislativa e, nesta sexta (29-05), um retrato direto da avaliação dos prefeitos do interior.

A pesquisa foi realizada pelo Ipen entre os dias 17 e 22 de maio, com 1.200 entrevistas presenciais em 11 municípios: Manaus, Parintins, Itacoatiara, Manacapuru, Coari, Maués, Presidente Figueiredo, Iranduba, Careiro, Tefé e Rio Preto da Eva. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento tem registros no TSE AM-07612/2026 e BR-06835/2026.

Lula vira sobre Flávio

Na disputa presidencial, a primeira surpresa foi a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Amazonas. O presidente apareceu com 41,8% das intenções de voto, contra 32,3% de Flávio. A vantagem é de 9,5 pontos percentuais.

O resultado foi divulgado antes mesmo da visita de Lula a Manaus, realizada nesta semana, e em meio à repercussão dos áudios que ligam Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. A coincidência temporal é politicamente relevante. Não é possível afirmar, de forma isolada, o peso exato do episódio no resultado, mas o desgaste nacional do presidenciável da direita aparece como elemento do ambiente captado pela pesquisa.

Ciro Gomes aparece em terceiro, com 4,4%. Renan Santos tem 1,3%. Cabo Daciolo marca 1,2%. Ronaldo Caiado registra 1%. Romeu Zema e Augusto Cury têm 0,7% cada. Aldo Rebelo aparece com 0,2%. Brancos e nulos somam 8,8%, e não sabem ou não responderam são 7,7%.

Omar lidera; David segura o segundo lugar

No Governo do Amazonas, Omar Aziz mantém liderança folgada. No cenário com Roberto Cidade incluído, Omar aparece com 29,8%. David Almeida mantém o segundo lugar, com 16%. Maria do Carmo vem logo atrás, com 15,6%. Roberto Cidade registra 14,9%.

A entrada de Cidade é o dado novo. Recém-chegado ao Governo do Estado e ainda sem declarar oficialmente candidatura à reeleição, ele embolou a disputa pelo segundo lugar.

Entre David, Maria do Carmo e Cidade, a diferença é mínima. Apenas 1,1 ponto separa o segundo colocado, David Almeida, do quarto, Roberto Cidade. Todos estão dentro da margem de erro.

Na prática, Omar larga com vantagem; David resiste na segunda colocação; Maria se mantém competitiva; e Cidade entra no jogo com força de governador no exercício do cargo.

Braga lidera Senado com folga

Para o Senado, Eduardo Braga aparece na liderança. A pesquisa Ipen/G6 mostra Braga com 37,4% na primeira opção e 13% na segunda opção. Na média geral, considerando os dois votos para o Senado, ele soma 25,2%.

A disputa pela segunda vaga está mais aberta. Capitão Alberto Neto aparece com 17,8% no primeiro voto e 12,1% no segundo, somando média geral de 15%. Wilson Lima vem em seguida, com 12,6% no primeiro voto e 11,7% no segundo, chegando a 12,1% na média.

O cenário confirma Braga como favorito à reeleição e coloca Alberto Neto e Wilson Lima em confronto direto pela segunda vaga, ainda com espaço para outros nomes crescerem, especialmente porque a segunda opção de voto tem alto índice de indefinição.

Amom passa Salazar

Na disputa para deputado federal, a maior surpresa foi Amom Mandel aparecer pela primeira vez à frente do vereador Sargento Salazar no cenário estimulado.

Amom registra 16%, contra 15% de Salazar. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro, mas tem peso político por inverter a ordem que vinha sendo esperada nesse campo.

Depois dos dois aparecem Alfredo Nascimento, com 8,8%; Zé Ricardo, com 5,8%; Adail Filho, com 5,2%; Saullo Vianna, com 4,8%; Silas Câmara, com 4,3%; Arthur Neto, com 3,8%; Átila Lins, com 3,3%; e Sidney Leite, com 2,9%.

Na espontânea, porém, Salazar ainda aparece à frente de Amom, o que mostra maior lembrança direta do eleitor. A estimulada, por outro lado, indica que Amom cresce quando os nomes são apresentados.

Interior pesa para estadual

Na disputa para deputado estadual, o destaque é a força dos parlamentares e lideranças com base eleitoral no interior.

A pesquisa espontânea mostra Cristiano D’Angelo na frente, com 13 citações. Carlinhos Bessa, Mayra Dias e Sargento Salazar aparecem em seguida, com 11 citações cada. Thiago Abrahim soma 8. Luana Ferraz e Emanuel Pinheiro têm 7 citações cada. João Luiz registra 6.

O resultado reforça uma regra antiga da eleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas: reduto municipal pesa. Deputado que mantém base viva, presença territorial e relação com prefeitos, vereadores e lideranças locais larga melhor.

Prefeitos de Tefé e Parintins lideram avaliação

Agora, a avaliação dos prefeitos, que traz outro retrato importante da política amazonense. O prefeito de Tefé, Nicson Marreira Lima, aparece na liderança, com 86,2% de ótimo e bom. Ele soma 51,7% de ótimo e 34,5% de bom. O mais impressionante é o índice de ruim e péssimo: zero.

Em segundo lugar aparece muito próximo o estreante Mateus Assayag, de Parintins, com 72,6% de ótimo e bom. São 39,3% de ótimo e 33,3% de bom. A adinistração de Mateus zerou o ruim e deixou o péssimo para apenas 1,2% dos parintinenses. O número é especialmente relevante por se tratar de um dos maiores colégios eleitorais do interior.

Mateus não completou um ano e meio de mandato e já aparece em patamar elevado de aprovação. O dado o diferencia de gestores com mais tempo de exposição.

Mário Abrahim, de Itacoatiara, vem logo depois, com 71,3% de ótimo e bom. Ele tem 41,4% de ótimo e 29,9% de bom. O péssimo, porém, chega a 5,7%, maior que os de Tefé e Parintins.

Adail Pinheiro, em Coari, também apresenta avaliação positiva consistente, com 60% de ótimo e bom, mas o péssimo chega a 21,7%, o que mostra uma cidade mais dividida na percepção sobre a gestão.

Iranduba acende alerta

Na outra ponta, Iranduba registra a pior avaliação entre os municípios pesquisados. O prefeito Augusto Ferraz soma apenas 23% de ótimo e bom, enquanto o péssimo atingiu 51,9%.

O resultado é politicamente pesado. Reflete desgaste, insatisfação e percepção de ausência administrativa. No caso de Iranduba, a avaliação negativa dialoga com críticas recorrentes sobre atitudes autoritárias, baixa presença física e uma gestão que, no segundo mandato, prometia inovação, mas não exibe obra marcante capaz de reorganizar a imagem pública.

Manaus também aparece com avaliação positiva baixa. Mas o prefeito Renato Jr. assumiu há pouco mais de um mês. Ele soma 23,1% de ótimo e bom. O péssimo está em 27,7%.

A diferença em relação a Iranduba é o tempo de gestão. Renato ainda carrega herança administrativa recente e está em fase inicial de exposição. Augusto Ferraz, ao contrário, já está no segundo mandato.

Pesquisa mostra recados

Os números da rodada Ipen/G6 não encerram nenhuma disputa. Pesquisa é fotografia de momento, não sentença eleitoral. Mas fotografias bem feitas revelam muito.

Revelam que Lula virou sobre Flávio no Amazonas.

Que Omar lidera o Governo com folga.

Que David mantém o segundo lugar, mas agora pressionado por Maria do Carmo e Roberto Cidade.

Que Eduardo Braga larga forte para o Senado.

Que Alberto Neto e Wilson Lima disputam a segunda vaga.

Que Amom superou Salazar pela primeira vez na estimulada para deputado federal.

Que o interior segue decisivo para a Assembleia Legislativa.

E que prefeitos bem avaliados terão mais força política na montagem dos palanques de outubro.

Para o eleitor, o ponto central é simples: pesquisa ajuda a cobrar. Mostra quem aparece, quem trabalha, quem entrega e quem apenas ocupa cargo. A política começa a entrar em ritmo de campanha. Mas o julgamento mais importante continua sendo o do cidadão. E esse julgamento, quando chega à urna, costuma ser silencioso, livre e definitivo.

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