
Fenômeno deve atrasar período de chuvas e reduzir precipitações na Bacia Amazônica; Rio Negro continua baixando em Manaus.(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A influência do El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 pode alterar o comportamento dos rios da Amazônia e comprometer a recuperação dos níveis durante a próxima estação chuvosa. O alerta foi apresentado nesta terça-feira (1º) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Os estudos apresentados indicam possibilidade de redução e atraso nas chuvas da Bacia Amazônica. Com isso, o nível dos rios pode começar o próximo período de estiagem em uma cota mais baixa, aumentando o risco de uma vazante mais severa ao longo de 2027.
Segundo o gerente de Hidrologia do SGB no Amazonas, André Martinelli, a avaliação dos impactos de uma possível seca extrema não depende apenas da velocidade com que os rios baixam. Também é necessário considerar o nível alcançado durante a cheia anterior, já que uma cheia menos intensa deixa os rios partindo de uma cota inferior para o período de vazante.
Os cenários apresentados pelo SGB não representam uma previsão definitiva, mas indicam possibilidades baseadas na comparação com períodos anteriores que apresentaram condições climáticas semelhantes.
O pesquisador do Inpa Renato Senna destacou que a intensidade do fenômeno neste ano pode apresentar características semelhantes às observadas em eventos anteriores de forte atuação do El Niño.
Entre os principais efeitos esperados está o aumento da temperatura das águas do oceano, condição que pode interferir na formação de nuvens sobre a região amazônica. Como consequência, o volume de chuva pode diminuir e o início da próxima estação chuvosa pode ocorrer mais tarde.
Alguns dos cenários analisados indicam que os efeitos sobre as precipitações podem permanecer até março de 2027. Caso a redução das chuvas seja significativa durante esse período, os rios podem não recuperar os níveis necessários antes do início da próxima vazante.
Nesse cenário, a estiagem do segundo semestre de 2027 poderia ser mais intensa, principalmente em áreas que dependem diretamente dos rios para transporte, abastecimento e outras atividades.
Em Manaus, o Rio Negro registrou queda de aproximadamente 10 centímetros em cerca de 24 horas. Nesta terça-feira (1º), o nível chegou a 24,09 metros.
Os estudos apresentados pelo SGB também trabalham com diferentes possibilidades para o nível do rio durante o auge da vazante. Em um cenário mais extremo, a cota pode chegar a 12,92 metros na capital.
Apesar de ressaltar que esse número representa uma estimativa e não uma previsão definitiva, o SGB aponta para a possibilidade de uma vazante abaixo dos padrões considerados normais.
Os cenários analisados indicam níveis que podem se aproximar dos registrados em grandes períodos de estiagem anteriores. Dependendo da intensidade da descida, a redução da cota pode provocar impactos no transporte fluvial e no acesso a comunidades localizadas às margens dos rios.
Os impactos da estiagem também já são sentidos no interior do Amazonas. Dos 62 municípios do estado, Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, ambos localizados na região do Alto Solimões, decretaram situação de emergência em razão das condições enfrentadas.
A Defesa Civil do Amazonas informou que as localidades devem receber apoio com itens essenciais para a população afetada. Entre os materiais previstos estão alimentos, água potável, kits de higiene e produtos para limpeza.
A preocupação das autoridades agora se concentra na evolução da vazante nos próximos meses e no comportamento das chuvas durante a temporada seguinte. A combinação entre uma cheia menor e um possível atraso no retorno das precipitações pode aumentar a pressão sobre comunidades que dependem dos rios para deslocamento e abastecimento.
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