29/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Comércio e serviços pedem adiamento da PEC do fim da escala 6×1

Publicado em 29 de agosto, 2026

Comércio e serviços pedem adiamento da PEC do fim da escala 6×1

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e entidades do setor terciário lançam neste fim de semana, dias 29 e 30 de agosto, uma campanha para tentar adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.

Mobilização

A mobilização tem como lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não” e busca pressionar senadores para que a proposta não seja votada antes das eleições.

A campanha ocorre no momento em que a PEC avança no Senado. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou na quinta-feira (27) parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as 12 emendas apresentadas por senadores.

O relatório está pronto para ser analisado pela CCJ. Caso o texto aprovado pela Câmara seja mantido tanto na comissão quanto no plenário do Senado, não haverá necessidade de nova votação pelos deputados e a emenda poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional.

Entidades apontam impacto nos custos

A CNC argumenta que uma mudança constitucional na jornada de trabalho pode elevar os custos das empresas, principalmente no comércio, serviços e turismo, setores que dependem de funcionamento durante seis ou sete dias por semana.

Segundo a entidade, a economia enfrenta juros elevados, restrição ao crédito, endividamento das famílias e dificuldades financeiras das empresas. Nesse cenário, a confederação sustenta que a redução da jornada, sem diminuição dos salários, poderá exigir novas contratações ou reorganização das equipes.

A CNC avalia que parte desses custos poderá ser repassada aos preços, além de representar risco de redução de vagas formais e aumento da informalidade. A entidade defende que mudanças nas escalas sejam negociadas entre empresas e trabalhadores por meio de acordos e convenções coletivas.

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Segundo Tadros, a votação às vésperas das eleições poderia atingir principalmente micro e pequenas empresas. “O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor”, declarou.

PEC prevê implantação gradual

Apesar da campanha destacar o impacto da mudança, o texto em análise no Senado não determina a redução imediata da jornada para 40 horas.

A PEC estabelece uma transição. Dois meses após eventual promulgação, a jornada máxima cairia das atuais 44 para 42 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado. Um ano depois dessa primeira mudança, o limite passaria definitivamente para 40 horas semanais. Os salários não poderão ser reduzidos em razão da nova jornada.

A proposta também não determina que empresas deixem de funcionar seis ou sete dias por semana. Estabelecimentos poderão organizar diferentes escalas entre os funcionários, desde que respeitem a jornada máxima e os dois dias de descanso previstos para cada trabalhador.

Texto

O texto preserva ainda acordos e convenções coletivas e prevê tratamento específico para regimes diferenciados e atividades essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana.

O argumento dos defensores da PEC é que a redução da jornada permitirá melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem redução de renda e poderá produzir ganhos de produtividade. O relatório de Omar Aziz sustenta que o teto constitucional de 44 horas está em vigor desde 1988 e que, nesse período, ocorreram mudanças relevantes na produtividade, na tecnologia e na organização do trabalho.

A tramitação oficial da PEC 221/2019 pode ser acompanhada no portal do Senado Federal⁠.

SEO tags: escala 6×1, PEC 221/2019, CNC, comércio, serviços, turismo, jornada de trabalho, Omar Aziz, Senado

Tags: ,

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.