29/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aula inaugural da pós-graduação da Ufam debate inserção de mulheres na ciência

Publicado em 29 de agosto, 2026

Aula inaugural da pós-graduação da Ufam debate inserção de mulheres na ciência

O segundo semestre de atividades da pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi iniciado com uma aula inaugural, realizada no último dia 27 de agosto, que abordou a presença e os desafios das mulheres na ciência. A palestra foi ministrada pela coordenadora acadêmica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, professora Marne Carvalho de Vasconcellos.

O evento foi promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp) no Auditório Eulálio Chaves e contou com a participação de pós-graduandos, professores e coordenadores de programas de pós-graduação.

Abertura e homenagens

A mesa de abertura da Aula Inaugural foi composta pela reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner; pelo vice-reitor, professor Geone Maia Corrêa; pela pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, professora Adriana Malheiro Alle Marie; pelo diretor técnico-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), professor Hedinaldo Narciso Lima; pela diretora do Departamento de Acompanhamento e Avaliação da Pós-Graduação da Propesp, Gisele Cristina Rezende; e pela presidente da Associação de Pós-Graduandos da Ufam (APG-Ufam), a discente Yasmin Vieira.

Yasmin Vieira destacou a importância da atuação política dos pós-graduandos da universidade, por meio da entidade, para fortalecer a luta por melhorias para os estudantes. “São muitos desafios que existem localmente e as APGs fortalecem a ANPG [Associação Nacional de Pós-Graduação]. Então, é importante que nós tenhamos noção desse lado político da nossa formação. A gente sabe que a educação tem sofrido cortes e isso afeta a gente diretamente, com a diminuição de bolsas e a questão da residência também”, defendeu a discente.

Fundação

Em sua fala, o diretor técnico-científico da Fapeam, Hedinaldo Narciso Lima, lembrou o papel da Fundação para o apoio às pesquisas desenvolvidas na universidade, principalmente pelo Programa Institucional de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (Posgrad). “Eu cumprimento a pós-graduação da Ufam pelos avanços que alcançou nos últimos anos, especialmente aqueles que foram conquistados no último quadriênio. Isso é fruto do trabalho não de uma única pessoa, mas de uma equipe, de várias gestões e dos estudantes que se envolvem e se comprometem com os avanços da pós-graduação. É o retorno do investimento que a sociedade faz”, afirmou o diretor.

A pró-reitora da Propesp celebrou os resultados positivos que a pós-graduação da Ufam vem alcançando nos últimos anos, como a elevação das notas de 17 programas de pós-graduação na Avaliação Quadrienal da Capes (2021-2024). “Hoje é um momento de celebração pelo reconhecimento da nossa pós-graduação e da nossa pesquisa aqui na universidade”,  comemorou a gestora.

Evento

O evento também teve um momento de homenagem aos programas de pós-graduação que elevaram ou mantiveram seus conceitos junto à Capes. Os coordenadores receberam placas de reconhecimento dos resultados positivos. Adriana Malheiro Alle Marie informou que nenhum dos programas da Ufam teve nota reduzida na avaliação.

“Isso demonstra a consistência, a maturidade e a capacidade de sustentar a qualidade construída pela nossa pós-graduação ao longo dos anos. Cada nota alcançada representa muito mais que um indicador para a gente. Elas representam aquilo que a gente tem de melhor aqui no Amazonas e na Amazônia”, afirmou a gestora.

A reitora da Ufam, Tanara Lauschner, ressaltou o papel das agências para o fomento da pesquisa na universidade, inclusive incentivando a participação de mulheres na produção científica. Segundo a reitora, é preciso enfrentar as desigualdades que ainda prejudicam as mulheres cientistas. “Quando a gente olha para a lideranças de projetos, lideranças de grupos, para quem tem maior destaque e para quem muitas vezes recebe o mérito da pesquisa, nós ainda temos uma maioria esmagadora de homens. Nós temos que caminhar para superar essas disparidades”, afirmou.

Além do resultado da Avaliação Quadrienal da Capes, a gestora também destacou outras conquistas da pesquisa da universidade, como a aprovação de 28 bolsas (14 de doutorado e 14 de mestrado) ofertadas pelo Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI), que incentiva o acesso de indígenas à pós-graduação. “É muito importante o trabalho que é feito pelos programas de pós-graduação com os nossos alunos e nossas alunas indígenas. Cada vez mais a gente tem que ter uma universidade mais indígenas, mais negra, mais quilombola e mais inclusiva”, disse.

Movimento Mulheres na Ciência

Durante a aula inaugural, a professora Marne Carvalho de Vasconcellos destacou a desigualdade histórica que mulheres viveram e ainda vivem no campo científico. Entre tantos casos, a docente citou o de Mileva Marić, física e matemática sérvia que teve importante contribuição no trabalho de seu esposo, Albert Einstein, porém sem o devido reconhecimento.

“Ela foi a grande responsável por todos os cálculos da Teoria da Relatividade de Albert Einstein, mas o crédito infelizmente não foi dado. Existe uma nomenclatura para isso. É o chamado Efeito Matilda, que é o apagamento sistemático e a negação do trabalho de mulheres cientistas cujas as descobertas são frequentemente atribuídas aos colegas homens”, explicou a docente.

Mulheres

A palestrante destacou o Movimento Mulheres na Ciência como uma iniciativa importante para reduzir a desigualdade de gênero no âmbito científico. Segundo a docente, a inserção das mulheres na ciência não pode se restringir à base, mas tem que também promover o acesso a cargos de liderança.”Eu preciso estar onde eu consiga transformar a realidade. Por isso é importante termos mulheres empoderadas, no sentido de ocupar espaços que são, em sua maioria, constituídos por homens. Precisamos ter voz, precisamos ser ouvidas”, afirmou.

Para mudar esse cenário, Marne Carvalho de Vasconcellos  explicou que é necessário a promoção de políticas inclusivas,o  financiamento equitativo, o compromisso institucional e ambientes mais diversos, entre outras iniciativas.

“Equipes de pesquisa, técnicas de gestão, organização de pesquisa, disciplina e sociedade em geral. Hoje os estudos apontam que, se nós tivermos mulheres incluídas em todos esses setores, o trabalho tem uma qualidade muito maior, o impacto econômico é muito melhor. As mulheres publicam e passam a trazer a visibilidade do seu potencial para dentro da ciência”, disse a diretora.

A íntegra da gravação da aula inaugural está disponível no Canal Ufam, no Youtube.

Tags:

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.