
“O garotinho” Valdir Corrêa (foto), aos 76 anos, está pronto para recomeçar, após a saída da rádio Difusora
Valdir Corrêa – Eu sabia que haveria uma transição, que é normal em qualquer empresa. A transição veio, com os herdeiros, o do Josué Filho, o Josué Neto, e o da Fezinha, o André Anzoategui. Deixei o caminho aberto. Isso vinha amadurecendo há algum tempo. Os meninos queriam modernizar e eu achei isso legal. Pedi demissão dia 7 de janeiro deste ano. O Josué (Filho) não aceitou, mas eu fui em frente. Sou muito grato pelos anos que passei na empresa. Feliz, grato… Nunca me atrasaram um dia, sempre foram pontuais e honraram os compromissos, comigo. Teve discussão? Teve. Qual família não tem? Ainda mais, numa emissora de família, onde eu era diretor, no departamento comercial, sem ser da família. A gente discute com filho, filha. Imagine numa empresa assim. Se Deus quiser, em março, eu tô retornando….
Valdir – Minha família queria que eu parasse geral. Mas eu senti um carinho tão grande, na minha saída, que nunca pensei. Aí falei: “Pra ficar dentro de casa, vou fazer alguns anos mais”. A gente tem muita estrada. Viu na transmissão, né? (Um áudio de Carlos Carvalho transmitindo, com João Bosco comentando e Nicolau Libório na reportagem), como o nosso time era bom. Não surgiu ninguém, até agora, nesse nível. Então, eu recebi seis convites de outras emissoras. Se quisesse ia trabalhar na segunda-feira. Mas vou ver onde é o meu perfil e fazer o meu trabalho. Quero um rádio de credibilidade, do jeito que eu fazia. Até março isso estará resolvido. Já recebi as propostas, estudei e só pedi pra não vazar, pra ninguém publicar. Só vai estar certo quando tudo estiver no preto e no branco. Nem minha família sabe pra onde eu vou. Nunca pensei que ia ter tanta proposta.
Valdir – O Ronaldo, eu fui o primeiro a conhecer, quando eu estava no início e você também. Ele trabalhou na rádio Clube de Teresina, com o Dídimo de Castro. História parecida com a minha, eu vim de Sena Madureira (AC), tu veio de Parintins (AM), ele veio das Minas Gerais, passando por Teresina (PI). Ele me fez um comentário, no dia da minha saída, que eu fiquei emocionado. Me elogiou… legal. Nunca tive nada contra ele e nem ele contra mim. Ele disse: “As portas estão abertas”. Só que lá tem você, Neuton, ele… a parada é dura (risos).
Valdir – Não. Saí de tudo. Estou fora. Andam espalhando por aí que eu me aposentei. Isso está errado. Saí da emissora. O que vai me aposentar é a morte. Transmiti no Maracanã em cima de caixa, andando de ônibus de um Estado pra outro… tu conheces bem isso. Só paro quando morrer.
Valdir – Como estava há tantos anos na emissora, a gente se sente meio rebelde. Posso não ter concordado com alguma ideia política. Só que eu sempre procurei desviar das brigas porque penso que numa briga ninguém vence, só tem dois perdedores. Sempre respeitei situação, oposição, centrão… Sempre fui entrevistador e não delegado, pra fazer inquérito. Ouvintes querem que pergunte algumas coisas que não têm fundamento. Fico no profissional. A gente aprende ao longo da vida a fazer crítica profissional e não pessoal.
Valdir – Uma vez, o Vivaldo Frota era governador e o Josué Filho presidente da Assembleia. Uma senhora me perguntou: “Quem fundou Manaus?” Eu respondi: “Quem fundou não sei, mas quem tá afundando é o Vivaldo Frota”. Isso foi muito ruim da minha parte, confesso. Pedi desculpas dele, porque ele ficou meses sem falar comigo. No futebol, o Orlando Rebelo (falecido, comentarista) urinava dentro da cabine. O jogo era Rio Negro e Libermorro. Eu gritando o gol e quando vi um negócio quente escorrendo na minha perna. Era o mijo do Orlando, que tinha errado a garrafa. Eu fui baixando o gol, até parar (risos). A outra foi contigo…
Valdir – Não. No Maranhão. A de Santos foi a da cachaça. O cara nos convidou pra fazer ponta de gol pra ele. Tinha um anúncio que era: “Cachaça Cavalinho, a cachaça de raça”. Aí numa das vezes você falou: “Cachaça Cavalinho, a cachaça que dá pulinho”. O cara botou a boca no microfone e falou: “Que dá pulinho é o caralho, porra… Lê o texto direito”(risos). No Maranhão, tu estavas fazendo a abertura e pegou um jornal local pra ler a escalação. Eu passei e levei o jornal, com tudo, na hora em que você tinha anunciado que ia passar o time. Você não tinha como sair de lá porque estava no ar, só com o comentarista (risos). A gente se divertia muito, pregando essas peças, e de noite a se encontrava pra tomar uma cerveja.
Valdir – Eu sempre digo que o melhor cara que recebia a gente no Rio de Janeiro era Chico da Silva. O Denis Menezes se escondia. Ele pegava no aeroporto e levava pra todo canto. Fomos lá em cima, no morro, onde tinha uns holandeses fumando maconha. A gente ficava com medo e ele dizia: “Calma. Quem vai, vai e quem não vai tudo bem.”
Valdir – O maior nome da música brasileira naquele tempo era o Chico da Silva. Todo mundo estava gravando, a começar pela Alcione. Um sujeito amigo e humano. Gosto muito dele.
Valdir – Devo acertar tudo até dia 28 deste mês, quando meu irmão fazia aniversário. Tem até uma história com isso. O Detran era perto da Praça da Polícia e o guarda me multou numa Honda 70 e colocou que a multa foi no dia 30 de fevereiro. Eu disse que minha moto tava guardada em casa e consegui escapar da multa (risos). Até dia 21, eu acerto pra onde eu vou. Aí preparo vinhetas e começo em março. Antes eu viajo. As passagens estão compradas há seis meses, como sempre faço. Vou dia 28 pra Porto Alegre, Bento Gonçalves e Serra Gaúcha. Volto dia 12 de março. Vou pra Chicago porque minha filha, caçula, que mora lá e tem cidadania americana, comprou passagem pra mim há nove meses.
Valdir – Não. Já foi tudo definido. Já tem substituto. Já pensou tirar um colega que já está no ar? Teve um lugar que queria me levar, mas iam dispensar seis pessoas. Eu não faço isso. Gosto de empregar e não desempregar. É uma nova filosofia de trabalho e tem que respeitar. Com o devido respeito, tem um monte de gente gritando, que não são narradores, mas não passam de animadores, e a gente não parou de narrar? Lamentável. Mas já está decidido. Já foi. Depois que assinar contrato, não volto atrás. Ninguém faz falta. O sol nasceu pra todos. Vou pra um lugar onde poderei levar colegas, que talvez percam seus lugares.
Valdir – Boato. Por fora estou muito bem. Por dentro ninguém sabe. Outro boato é da aposentadoria. Chute. Não houve nada disso. Tô em forma.
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