
O procurador teve duas horas para apresentar sua manifestação. (Foto: Reprodução)
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou nesta terça-feira (2), durante o julgamento da suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), que a tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro só não se concretizou devido à negativa dos comandantes do Exército e da Aeronáutica.
“O golpe não se consumou, uma vez que, bastante tentado, não obteve a adesão dos comandantes do Exército e da Aeronáutica […]. O plano de golpe foi apresentado pelo comandante maior das Forças Armadas: o presidente da República [Jair Bolsonaro]. O golpe não se consumou pelo respeito do Exército e da Aeronáutica”, afirmou Gonet.
O procurador teve duas horas para apresentar sua manifestação após a leitura do relatório do caso pelo relator, ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o plano fracassou diante da recusa dos militares em aderir à iniciativa golpista, e os atos do ex-presidente configuram, até o momento, uma tentativa de ruptura democrática.
Além de Bolsonaro, sete réus do chamado núcleo crucial são julgados no STF por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e privacidade de patrimônio tombado.
Gonet também destacou que “quando o presidente da República e o ministro da Defesa se reúnem com comandantes militares, sob sua direção política e hierárquica, para consultá-los sobre a execução da fase final do golpe, o golpe, ele mesmo, já está em curso de realização”.
O procurador ressaltou ainda a atuação do ex-presidente contra as urnas eletrônicas e atos de resistência ativa aos resultados das eleições de 2022, reforçando a gravidade da conduta atribuída aos acusados.
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