
Representantes de segmentos estratégicos defendem impactos econômicos e alertam para riscos ao comércio entre Brasil e Estados Unidos. (Foto: Renata Silva/Embrapa)
Representantes do agronegócio brasileiro participam, na próxima segunda-feira, de uma audiência nos Estados Unidos para discutir possíveis mudanças tarifárias que podem impactar diretamente as exportações brasileiras. O encontro deve abordar diferentes setores da economia, com atenção especial ao agro.
Levantamentos apresentados no debate mostram que 87% dos entrevistados consideram importante que os EUA mantenham independência energética, enquanto 80% defendem o uso de combustíveis renováveis, como o etanol, como peça fundamental para atingir esse objetivo. Esse cenário tem sido usado como argumento em discussões sobre tarifas recíprocas.
Na avaliação da Renewable Fuels Association, o etanol produzido internamente fortalece a segurança energética americana, reduz a dependência de fontes externas e ainda impulsiona a economia rural com combustíveis mais acessíveis.
Apesar disso, especialistas apontam que os EUA continuam dependentes de importações em setores estratégicos. Do lado brasileiro, há preocupação de que novas barreiras comerciais também estejam ligadas à competitividade de produtos nacionais no mercado americano.
Um dos exemplos citados é o café. Segundo Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, compradores norte-americanos já percebem impactos na composição dos blends devido à menor presença do produto brasileiro.
A avaliação do setor é que eventuais tarifas sobre o café brasileiro devem resultar em aumento de preços para o consumidor americano. Os EUA, que já foram os principais compradores de café solúvel do Brasil, perderam essa posição para a Alemanha no fim do ano passado.
No setor de carnes, analistas observam que, mesmo com mudanças tarifárias, frigoríficos brasileiros com operações em países vizinhos devem continuar abastecendo o mercado americano. O cenário ganha relevância em um momento de forte redução no rebanho bovino dos EUA, apontado como o menor em sete décadas.
Relatórios do Itaú BBA indicam que a indefinição comercial, somada ao ambiente geopolítico global, amplia a pressão sobre o planejamento de custos, logística e escoamento das safras agrícolas brasileiras.
A audiência contará com 14 painéis e terá início às 10h, no horário de Washington. Cada representante terá até cinco minutos para apresentar um resumo executivo com os principais argumentos em defesa de seu setor. Também há possibilidade de questionamentos por parte do United States Trade Representative.
Entre os representantes do agro brasileiro confirmados estão integrantes da indústria do arroz, café, carnes, etanol, mel, madeira e bioenergia, além de lideranças de entidades que atuam na defesa dos interesses do agronegócio nacional. O foco das apresentações será demonstrar os possíveis impactos econômicos caso novas tarifas sejam implementadas.
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