
Estudo com análises genéticas e morfológicas reforça manejo sustentável e amplia conhecimento sobre o peixe símbolo da região. (Foto: Divulgação/Idam)
Uma nova pesquisa científica trouxe avanços importantes para o conhecimento sobre o pirarucu, um dos maiores símbolos da fauna amazônica. O estudo concluiu que todos os exemplares encontrados no sistema Amazonas-Solimões pertencem a uma única espécie: o Arapaima gigas.
A descoberta revisa hipóteses levantadas em estudos anteriores, que indicavam a possível existência de outras espécies de pirarucu na Amazônia. O trabalho foi desenvolvido por especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em parceria com a Universidade Federal do Amazonas e publicado na revista científica Neotropical Ichthyology.
Para aprofundar a análise, os pesquisadores avaliaram 90 exemplares coletados em diferentes áreas da bacia amazônica, incluindo o Alto Solimões, os rios Juruá e Purus e a região de Santarém, no baixo Amazonas. A área analisada abrangeu mais de mil quilômetros.
A equipe científica utilizou comparações genéticas, além de avaliações detalhadas de características físicas, como estrutura corporal, formação óssea e outras particularidades anatômicas. Apesar das diferenças observadas entre alguns indivíduos, os resultados mostraram que essas variações não indicam a presença de espécies distintas.
Conforme explica o pesquisador Valdenor Magalhães, as diferenças registradas fazem parte da diversidade natural do próprio pirarucu e não sustentam uma nova classificação taxonômica.
O resultado também tem reflexos importantes para a conservação ambiental. Reconhecido como uma espécie estratégica para a pesca manejada, o pirarucu possui grande importância econômica para comunidades ribeirinhas e papel essencial na segurança alimentar da região amazônica.
Além disso, a espécie contribui diretamente para o equilíbrio ambiental. Por ocupar posição de destaque na cadeia alimentar, ajuda a regular outras populações aquáticas e mantém a dinâmica dos ecossistemas.
Com a definição de que existe apenas uma espécie de pirarucu na Amazônia, especialistas avaliam que será possível fortalecer políticas públicas de preservação, ampliar o monitoramento populacional e aperfeiçoar estratégias de manejo sustentável para garantir a proteção da espécie no longo prazo.
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