21/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Denis Minev propõe mutirão global pela Amazônia na COP30

Publicado em 30 de agosto, 2025

Denis Minev COP30

Denis Minev (foto) coloca no debate da COP30 uma verdade: Amazônia é credora na questão ambiental

A primeira carta de Denis Minev, empresário e CEO de uma das maiores redes de varejo, farmácia, cartão de crédito e e-commerce da região, marca o início de sua atuação como representante nomeado do setor privado da Amazônia na COP30, que acontecerá em Belém (PA), em novembro de 2025.

Minev já foi secretário estadual de Planejamento do Amazonas e há anos participa de debates sobre desenvolvimento sustentável. Agora, com a responsabilidade de dar voz ao empresariado amazônico na conferência climática, ele apresentou uma visão pragmática: a Amazônia deve ser tratada como credora ambiental e não como ré no balanço climático global.


Justiça climática e pragmatismo

Em sua carta, Minev afirma que as soluções para a crise climática passam necessariamente pela Amazônia e defende um “mutirão global pela conservação e abundância”. Ele lembra que, enquanto outras regiões devastaram seus biomas para crescer, a Amazônia preservou cerca de 80% da floresta — muitas vezes sacrificando o próprio desenvolvimento.

O executivo reforça que não se trata de negar responsabilidades, mas de assegurar que o mundo financie a transformação econômica da região, com base em três pilares:

  1. Empréstimos de longo prazo;

  2. Investimentos em ciência e tecnologia locais;

  3. Precificação justa para serviços ambientais, especialmente o carbono.


Desafios e oportunidades

Minev reconhece que a Amazônia enfrenta um cenário de desequilíbrios: dificuldades econômicas que favorecem atividades tradicionais, graves indicadores sociais, expansão do desmatamento ilegal e um distanciamento entre políticas externas e a realidade local.

Para ele, o caminho é criar alternativas econômicas viáveis, capazes de tornar a sustentabilidade o modelo mais lógico e lucrativo.

“O setor privado da Amazônia, como qualquer outro no mundo, responde a incentivos. Hoje, a falta de viabilidade econômica direciona o capital para o lucro rápido da ilegalidade e da degradação.”

O executivo aponta ainda a necessidade de investir em bioeconomia, biotecnologia, inovação e sistemas alimentares sustentáveis, alinhados aos objetivos definidos pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.


A carta de Denis Minev

“As soluções para a crise climática global passam, em grande parte, pela Amazônia. É necessário um mutirão pela conservação e pela abundância, onde os amazônidas, com o apoio do mundo, lideram a transição de um modelo de desmatamento para um de regeneração e prosperidade.

Primeiro, é preciso abordar justiça climática: a Amazônia chega a este debate com um imenso crédito ambiental. Enquanto outras regiões avançaram em seu desenvolvimento à custa de seus biomas, nós preservamos 80% de nossa floresta, muitas vezes sacrificando nosso desenvolvimento. A Amazônia não é ré; é credora no balanço ambiental do mundo. A solução para a crise climática é conjunta, mas a culpabilidade não.

Como claramente delineado na 4ª carta do Presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, há 30 objetivos-chave. A Amazônia e seu setor privado, em modelo de mutirão global, têm a capacidade de abordar nove: (5) investimentos para parar e reverter o desmatamento e a degradação florestal; (6) esforços para conservar, proteger e restaurar a natureza e ecossistemas com soluções para o clima, biodiversidade e desertificação; (8) recuperação de áreas degradadas e agricultura sustentável; (9) sistemas alimentares mais resilientes, adaptados e sustentáveis; (18) educação, capacitação e geração de empregos para enfrentar a mudança do clima; (20) finanças climáticas e sustentáveis, com integração sistemática do clima em investimentos e seguros; (21) financiamento para adaptação; (28) inovação, empreendedorismo climático e micro e pequenas empresas; e (29) bioeconomia e biotecnologia.

A responsabilidade do mundo no mutirão é financiar a transformação econômica da Amazônia por meio de três pilares: (1) empréstimos de longo prazo, (2) investimentos em ciência e tecnologia locais, e (3) uma precificação justa e funcional para serviços ambientais, especialmente carbono.

A responsabilidade da Amazônia e de seu setor privado no mutirão é liderar com sua vitalidade empreendedora. A tarefa é escalar a produção sustentável de alimentos e produtos florestais, ao mesmo tempo em que expande o sequestro de carbono, protege a biodiversidade e garante o ciclo da água.

O que o setor privado amazônico espera da COP-30, do restante do Brasil e do mundo é pragmático: precisamos de políticas e instituições que tornem a economia sustentável a escolha mais lógica e lucrativa para os empreendedores da região.

A realidade hoje é insustentável. O professor Samuel Benchimol, grande pensador amazônico, defendia um desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo, ambientalmente adequado e politicamente equilibrado para a região. Hoje, falha-se nos quatro pontos: (1) na economia, a viabilidade favorece atividades tradicionais; (2) têm-se os piores indicadores sociais e ausência de empregos formais; (3) secas, incêndios, desmatamento ilegal e garimpo se alastram; e (4) políticas federais e externas frequentemente ignoram a vontade e a realidade dos amazônidas, gerando um desequilíbrio que impede o sucesso.

Ações de comando e controle são importantes, mas sem alternativas econômicas viáveis, são vistas localmente como uma ameaça ao futuro e portanto resistidas. O que fazer então? É hora de abandonar o maniqueísmo que divide a região entre heróis e vilões e buscar o pragmatismo. O setor privado da Amazônia, como qualquer outro no mundo, responde a incentivos. Hoje, a falta de viabilidade econômica direciona o capital para o lucro rápido da ilegalidade e da degradação.

Como avançar? É preciso um novo paradigma: criar oportunidades para que milhares de empreendedores amazônicos prosperem com negócios sustentáveis. O sucesso pode ser medido por métricas claras: (1) hectares recuperados em modelos produtivos que armazenam carbono, como sistemas agroflorestais, (2) número de empreendedores prosperando, (3) volume de empregos de qualidade gerados e (4) número de municípios com casos de sucesso para inspirar a região.

Vislumbremos um futuro onde a Amazônia alimenta o mundo e armazena carbono; onde seus cidadãos têm saneamento e conectividade, enquanto produzem ciência de ponta. Em uma próxima carta tentarei detalhar passos concretos, pragmáticos e factíveis para polinizar a Amazônia nesta direção.”

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