04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Governo leva ao Planalto pacote para proteger empresas e empregos afetados por tarifa dos EUA

Publicado em 06 de agosto, 2025

Governo leva ao Planalto pacote para proteger empresas e empregos afetados por tarifa dos EUA

Medidas incluem crédito subsidiado e aumento de compras públicas. (Foto: Diogo Zacarias/MF)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que as medidas para mitigar os impactos do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros serão entregues ao Palácio do Planalto nesta quarta-feira (6/7). O pacote tem foco na proteção das pequenas empresas e inclui, entre outras ações, a concessão de crédito subsidiado e o estímulo às compras públicas de produtos afetados.

“Vamos ter um plano muito detalhado para começar a atender, sobretudo, aqueles que são pequenos e não têm alternativas à exportação para os EUA, que é a preocupação maior do presidente, o pequeno produtor”, declarou Haddad.

O anúncio oficial das medidas dependerá de definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Haddad, a ideia é utilizar uma medida provisória como instrumento de implementação, o que permitirá a entrada imediata das ações em vigor. As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros passaram a valer a partir desta quarta-feira.

Entre as medidas, o governo pretende ampliar a compra de produtos que seriam exportados para os EUA — especialmente agrícolas — e oferecer crédito subsidiado para os setores prejudicados. A maior preocupação do Executivo, segundo Haddad, está nas indústrias que produzem peças e equipamentos personalizados para clientes norte-americanos, cujos mercados alternativos são mais difíceis de encontrar. Já para outros setores, a expectativa é de que seja possível redirecionar as exportações a outros destinos, tanto internacionais quanto internos.

“Saem hoje aqui da Fazenda [as medidas de proteção]. Ontem, tivemos uma última reunião com o presidente para detalhar o plano. Tem um relatório que vai chegar do MDIC na Casa Civil sobre a situação empresa por empresa, um detalhamento que o presidente pediu, mas o ato em si não depende desse documento porque é um ato mais genérico. Só na regulamentação e aplicação da lei é que vamos ter que fazer uma análise mais setorial, CNPJ a CNPJ”, explicou o ministro.

Haddad também anunciou que haverá um avanço nas negociações com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço. Uma reunião remota com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, está marcada para a próxima quarta-feira (13/8), com o objetivo de formalizar o interesse brasileiro em negociar.

“A depender da qualidade da conversa, ela pode se desdobrar em uma reunião de trabalho presencial, aí com os ânimos já orientados no sentido de um entendimento entre os dois países”, disse Haddad. Ele concluiu: “Queremos abrir a negociação, superar esse desentendimento provocado pela extrema direita brasileira e normalizar as relações”.

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