12/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Inteligência artificial conduz 1ª cirurgia sem presença humana

Publicado em 18 de julho, 2025

Inteligência artificial conduz 1ª cirurgia sem presença humana.

Tecnologia desenvolvida nos EUA realiza remoção de vesícula sem interferência humana e reforça potencial da inteligência artificial em procedimentos complexos. (Foto: Juo-Tung Chen/Universidade Johns Hopkins)

Um avanço inédito na medicina acaba de ser registrado nos Estados Unidos: um robô equipado com inteligência artificial conseguiu realizar, de forma totalmente autônoma, uma cirurgia em tecido humano. Sem qualquer intervenção manual de médicos, a máquina executou com sucesso a remoção de uma vesícula biliar, procedimento conhecido como colecistectomia.

A cirurgia foi conduzida na Universidade Johns Hopkins e marca um novo capítulo na integração da IA à prática médica. Detalhado na revista científica Science Robotics, o experimento foi possível graças ao SRT-H (Hierarchical Surgical Robot Transformer), uma versão atualizada do robô STAR, agora com capacidade para tomar decisões em tempo real e reagir a imprevistos durante o procedimento.

Além de realizar movimentos precisos, o robô interage com a equipe por comandos de voz, simulando a dinâmica entre um residente em treinamento e um mentor humano. “A grande diferença agora é que o sistema entende o procedimento cirúrgico como um todo, não apenas etapas isoladas”, explicou Axel Krieger, professor da Johns Hopkins e líder do projeto, financiado por instituições do governo americano.

Para alcançar essa autonomia, o robô foi treinado com uma vasta base de vídeos cirúrgicos legendados, aprendendo os 17 passos necessários para a remoção da vesícula. Também foram aplicadas tarefas práticas, como manipulação de tecidos e execução de suturas. Em testes com oito vesículas humanas retiradas de corpos, o SRT-H demonstrou não apenas precisão, mas também adaptabilidade diante de alterações anatômicas e simulações de emergência.

A tecnologia empregada é baseada em modelos de aprendizado de máquina semelhantes aos do ChatGPT, o que permite ao robô aprender a partir de linguagem natural e ajustar seus movimentos de acordo com as necessidades do paciente durante a operação. Essa habilidade, segundo os pesquisadores, representa um salto em relação ao modelo anterior, que seguia rotinas predefinidas.

“Com o SRT-H, mostramos que a IA pode atingir um nível de confiança suficiente para realizar cirurgias autônomas. Isso era impensável até pouco tempo atrás”, afirmou Ji Woong Kim, pesquisador envolvido no projeto.

Embora o robô ainda opere em ritmo mais lento do que um cirurgião experiente, os resultados clínicos obtidos são equivalentes. O próximo passo será ampliar o repertório de operações e, eventualmente, testar o sistema em pacientes vivos — algo previsto para ocorrer na próxima década.

“Esse é um passo decisivo para a automação de procedimentos delicados, e prova que a combinação entre IA e medicina tem um futuro promissor”, conclui Krieger.

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