04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Governo Lula enfrenta impasse diplomático para tentar barrar tarifa de Trump sobre exportações brasileiras

Publicado em 16 de julho, 2025

Lula afirma que Brics continuará debatendo alternativas ao dólar.

Falta de interlocução direta com Casa Branca e abordagem tradicional são apontadas como entraves por empresários. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O governo federal intensifica, nos bastidores, a busca por um interlocutor com real influência na Casa Branca para tentar reverter o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Após reuniões com empresários, ficou evidente que a abordagem diplomática tradicional não tem surtido efeito — e o tempo para uma solução está se esgotando.

As tratativas, lideradas no Brasil pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, esbarram na dificuldade de contato com representantes diretos do governo norte-americano. O canal oficial, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), sequer respondeu à proposta enviada pelo Brasil no dia 16 de maio, referente à tarifa anterior de 10%.

Empresários que participaram dos encontros com o governo apontam falhas estratégicas. Segundo eles, o Planalto superestimou o peso da diplomacia convencional e negligenciou a construção de pontes informais com o governo Trump, cuja tomada de decisões é centralizada e avessa a ritos protocolares.

“Esse governo [Trump] não trabalha com os canais normais. É tudo direto com ele ou com pessoas próximas. Faltou previsibilidade da nossa parte”, disse à imprensa um dos empresários presentes nas reuniões.

Enquanto o setor produtivo pede ao menos um adiamento de 90 dias para a implementação da nova tarifa, o governo Lula hesita em formalizar esse pedido. A esperança está na articulação de lobistas em Washington, mobilizados por empresas brasileiras, para tentar abrir portas no círculo próximo ao presidente dos EUA.

A atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também entrou no radar. Ele tem priorizado contatos com a Embaixada dos EUA, movimento considerado positivo, mas limitado, já que o principal elo é um encarregado de negócios — cargo de menor peso no Departamento de Estado.

Outro fator que preocupa o Planalto é a possibilidade de contra-articulação por parte do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mantém bom trânsito com aliados de Trump e defende a manutenção das tarifas como forma de pressão por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A hipótese é descartada tanto pelo governo federal quanto pelo governo paulista.

Sem resposta oficial dos EUA e com entraves internos e externos, a equipe econômica do governo Lula corre contra o tempo para evitar perdas bilionárias nas exportações, em um cenário internacional cada vez mais imprevisível.

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