
Falta de interlocução direta com Casa Branca e abordagem tradicional são apontadas como entraves por empresários. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
O governo federal intensifica, nos bastidores, a busca por um interlocutor com real influência na Casa Branca para tentar reverter o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Após reuniões com empresários, ficou evidente que a abordagem diplomática tradicional não tem surtido efeito — e o tempo para uma solução está se esgotando.
As tratativas, lideradas no Brasil pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, esbarram na dificuldade de contato com representantes diretos do governo norte-americano. O canal oficial, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), sequer respondeu à proposta enviada pelo Brasil no dia 16 de maio, referente à tarifa anterior de 10%.
Empresários que participaram dos encontros com o governo apontam falhas estratégicas. Segundo eles, o Planalto superestimou o peso da diplomacia convencional e negligenciou a construção de pontes informais com o governo Trump, cuja tomada de decisões é centralizada e avessa a ritos protocolares.
“Esse governo [Trump] não trabalha com os canais normais. É tudo direto com ele ou com pessoas próximas. Faltou previsibilidade da nossa parte”, disse à imprensa um dos empresários presentes nas reuniões.
Enquanto o setor produtivo pede ao menos um adiamento de 90 dias para a implementação da nova tarifa, o governo Lula hesita em formalizar esse pedido. A esperança está na articulação de lobistas em Washington, mobilizados por empresas brasileiras, para tentar abrir portas no círculo próximo ao presidente dos EUA.
A atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também entrou no radar. Ele tem priorizado contatos com a Embaixada dos EUA, movimento considerado positivo, mas limitado, já que o principal elo é um encarregado de negócios — cargo de menor peso no Departamento de Estado.
Outro fator que preocupa o Planalto é a possibilidade de contra-articulação por parte do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mantém bom trânsito com aliados de Trump e defende a manutenção das tarifas como forma de pressão por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A hipótese é descartada tanto pelo governo federal quanto pelo governo paulista.
Sem resposta oficial dos EUA e com entraves internos e externos, a equipe econômica do governo Lula corre contra o tempo para evitar perdas bilionárias nas exportações, em um cenário internacional cada vez mais imprevisível.
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