08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Europa e Uefa criticam Fifa após interferência de Trump em decisão sobre cartão

Publicado em 06 de julho, 2026

Europa e Uefa criticam Fifa após interferência de Trump em decisão sobre cartão

A União Europeia e a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) criticaram a Fifa nesta segunda-feira (6) por revogar o cartão vermelho dado ao jogador dos Estados Unidos Folarin Balogun durante a última partida da seleção norte-americana na Copa do Mundo.

O comissário europeu para assuntos de esporte, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o esporte “pertencem às entidades esportivas, não aos políticos” depois de relatos de uma suposta intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump:

“Influenciar decisões esportivas prejudicaria a autonomia do esporte. Nosso foco deveria estar nos verdadeiros desafios de governança que o esporte enfrenta, incluindo a instrumentalização do esporte para fins políticos”.

Decisão

Já a Uefa, em comunicado divulgado à imprensa, declarou que, com a decisão, a Fifa havia “cruzado uma linha vermelha” e prejudicado a integridade do esporte:

“Manifestamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável. Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus responsáveis, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada”.

O próximo jogo da seleção dos EUA, pelas oitavas de final, será nesta segunda, às 21h, contra a Bélgica, um dos times europeus que segue na disputa pela taça da Copa.

Suposta intervenção de Trump

Segundo uma autoridade dos EUA, Donald Trump entrou em contato diretamente com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para “entender melhor o motivo” do cartão vermelho aplicado ao atacante americano Folarin Balogun durante o jogo contra a Bósnia e Herzegovina, na última quarta (1º).

Após revisar o lance no VAR, o árbitro Raphael Claus expulsou Balogun aos 18 minutos da etapa final. O atacante recebeu o cartão vermelho por um pisão no tornozelo de Muharemovic.

Para a TV Globo, a fonte, que falou de forma anônima, afirmou que o governo dos EUA “forneceu evidências adicionais que foram utilizadas no processo de apelação”, mas ressaltou que o processo de apelação é conduzido por um conselho independente.

Nas redes sociais, o presidente norte-americano parabenizou a Fifa e disse que o órgão reverteu uma grande injustiça.

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, publicou o presidente.

Durante uma coletiva de imprensa neste domingo (5), o técnico da seleção norte-americana, Mauricio Pochettino, celebrou a decisão.

“Fomos punidos o suficiente contra a Bósnia-Herzegovina ao jogar com um a menos por 30 minutos, em uma decisão completamente injusta. E não só porque sou o técnico da seleção dos Estados Unidos e preciso defender meu lado. É porque acredito que 99,9% das pessoas concordam que aquele cartão vermelho foi injusto”, disse o treinador argentino.

Federação belga reclama da decisão

Já a Federação Belga de Futebol não gostou da suspensão do cartão vermelho. Em um comunicado oficial, a instituição manifestou “surpresa” que Balogun poderá jogar a próxima partida. Os belgas argumentam que o “Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da Fifa prevê claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como tem sido o caso de todos os cartões vermelhos anteriores aplicados durante esta Copa”.

A entidade que rege o futebol da Bélgica também apontou que a liberação do atacante contraria diretamente o Artigo 10.5 do Regulamento da própria Copa do Mundo de 2026, reforçando que a punição deveria ser automática. De acordo com os belgas, essa regra foi reafirmada pela Fifa em circulares e reuniões oficiais antes de cada partida do torneio.

Sob a alegação de proteger os princípios fundamentais de “fair play” e os direitos das seleções participantes, a federação belga informou que já está investigando todas as opções potenciais diante do caso.

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